Alto Vale
Foto: Sesai/Divulgação

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Desde a semana passada quando os primeiros casos foram confirmados o número de indígenas da Terra  Laklãnõ que tiveram diagnóstico positivo de covid saltou para 109 de acordo com a última atualização desta terça-feira (11) repassada pelas lideranças indígenas. Diante do cenário de contaminação em massa, profissionais enviados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) começaram a atender nas aldeias para tentar conter a disseminação do vírus.

Hoje são cerca de 2.300 indígenas da etnia Xokleng distribuídos em nove aldeias localizadas entre José Boiteux, Vitor Meireles e Doutor Pedrinho. Dos quase 100 contaminados, dois estão internados e dois acabaram morrendo. Um deles era um bebê que já nasceu sem vida.

O atendimento, que vai durar inicialmente 14 dias, começou na aldeia Palmeira e as demais localidades serão atendidas com base em um cronograma. O coordenador regional da Sesai, Alexandre Rossettini, explica que enfermeiros e técnicos de enfermagem compõem a equipe de resposta rápida de combate ao coronavírus que está trabalhando na região. “Já conversamos com a Secretaria de Estado da Educação que nos cedeu às escolas para fazermos o isolamento dos indígenas. Junto com o Exército já conseguimos 50 camas e na semana que vem já vai a outra parte da equipe com mais um médico e dois técnicos de enfermagem para fortalecer a questão dos atendimentos”, revela.

Ele diz ainda que uma carga de equipamentos de proteção individual foi comprada pela Sesai e chega até esta quarta-feira (12). “Isso para que eles tenham uma carga suficiente para esse combate da pandemia junto aos indígenas. Os que estão com suspeita também já estão sendo testados e estão sendo monitorado s seguindo todo o protocolo do Ministério da Saúde”, completou.

O cacique da Aldeia Palmeirinha, Geomar Covi Crendô, afirma que a chegada dos profissionais era uma necessidade urgente. “Com essa pandemia a maioria dos profissionais que trabalhavam aqui no polo base foram afastados por também estarem contaminados então para nós isso foi muito importante e eles já começaram visitar as casas de cada família na aldeia”, disse.

Ele diz que apesar desse avanço no atendimento, o povo xokleng ainda aguarda que outros pedidos sejam atendidos, especialmente a testagem em massa. “Esses testes em massa precisam acontecer. Também estamos trabalhando com a possibilidade de um hospital de campanha. Estamos articulando, mas não está fácil”, desabafa.

Prefeituras enviam ofícios

As prefeituras de José Boiteux, Vitor Meireles e Doutor Pedrinho, que integram a Terra Indígena Laklãnõ enviaram na sexta-feira (7) um ofício conjunto ao Governo Federal pedindo uma intervenção imediata na região através de recursos financeiros, profissionais da saúde, equipamentos e medicamentos para atender os indígenas.

O documento enfatiza que até então a equipe da Sesai contava apenas com um médico, quatro enfermeiros e 12 técnicos de enfermagem e muitos dos profissionais já estavam contaminados e tiveram que ser afastados. As prefeituras alegaram ainda que não possuem estrutura física e profissional para absorver e atender essa demanda nas unidades de saúde municipais.