Cidade

A última semana iniciou com uma enxurrada de reclamações nas redes sociais por conta dos serviços bancários no município de Rio do Sul. Após o abalo no funcionamento de agências e abastecimento de caixas eletrônicos por conta do período de chuvas e enchentes, nem tudo ainda está 100% normalizado. As casas lotéricas da cidade e outros correspondentes bancários têm colaborado para que os serviços básicos sejam prestados, mas, mesmo assim, a população se queixa da demora para que tudo seja restabelecido.

As filas nesses estabelecimentos tomam quadras inteiras, e, segundo usuários, até brigas já foram registradas por conta da demora no atendimento. Na última semana, a Caixa Econômica Federal teria sido palco de um evento assim. O limite para saque é outra queixa dos correntistas, que no início do mês, sofrem para honrar compromissos como pagamento de aluguel e outras contas fixas. Quem fica prejudicado também com este impasse é o comércio, que pela falta de moeda em circulação acaba deixando de vender.

O Banco do Brasil, que recentemente teve caixas eletrônicos arrombados na agência da rua Coelho Neto, opera com estrutura limitada desde então, com os problemas gerados pela enchente, piorou ainda mais a prestação de seus serviços. Por questões internas, a outra agência que havia na cidade foi fechada. Esta reportagem buscou contato com a superintendência do banco em Florianópolis para saber o motivo, já que a gerência local é impedida de conceder entrevistas, mas a porta-voz não foi localizada.

O ex-superintendente do BB, Milton Goetten de Lima, que hoje atua no mercado através de sua empresa de soluções financeiras para o varejo, então foi contatado, e relatou sua opinião sobre os fatos que estão acometendo a cidade nesse sentido. “É desumano o que está acontecendo, ver o povo às 7 horas da noite tentando sacar seu dinheiro, é início de mês”, avalia, e afirma que a direção do banco poderia realizar uma ação para reverter o quadro.
Goetten é profundo conhecedor da economia de Rio do Sul e, inclusive, já foi gerente da agência localizada no município. Ele entende que foi “profundamente errada a decisão de fechar a agência [do BB] na Aristiliano Ramos”. Aparentemente, os terminais de autoatendimento permanecem no local, mas, indisponíveis para saque. Se estivessem operando, provavelmente desafogaria a outra agência.

Segundo o ex-superintendente, este era o momento de se levar a questão para um debate superior, por se tratar de um momento de caos e para que a instituição considerasse esforços extras, como população e Poder Público fizeram. “Eu lamento, pelo vínculo histórico que tenho com o banco […] acompanhei todo o esforço e união para que Rio do Sul atravessasse esse momento e não tivesse prejuízos maiores, acredito que o banco deveria ter tido o mesmo tipo de preocupação”, lamenta Goetten, que ainda salienta que os funcionários da agência local não são responsáveis pelo o que está acontecendo.

Em sua avaliação ainda, Goetten recorda que o Bando do Brasil faz parte da história de evolução de Rio do Sul. “O Banco do Brasil sempre esteve à frente como financiador, como incentivador de causas socais, como apoiador do desenvolvimento. E agora, simplesmente, o que nós vimos, que nos transformamos apenas em números”, concluiu.

Polo econômico

Rio do Sul é conhecida como capital do Alto Vale, e muito além de seus habitantes, referencia a economia de toda a região. Por este motivo, na opinião de Goetten, seu histórico e geografia deveriam ser levados em consideração pela direção do Banco do Brasil antes de ter concentrado sua atenção apenas na agência da Coelho Neto, que passa por reformas, aumentando o tumulto.

“O banco tomou uma decisão por ele, sem conhecer a geografia local. Fechou uma agência muito bem localizada, com fluxo de trânsito, e deixou essa agência [da Coelho Neto]. Jogou toda a população nessa esquina, que não tem estacionamento, não tem fluxo. Entendo que é um desrespeito, e digo isso com uma dor no coração, pois o Banco do Brasil é minha casa.

Os prejudicados

“Três dias tentando realizar pagamentos”. Foi o que relatou o profissional liberal Renato Alves Schmidt, enquanto aguardava mais uma tarde na fila da casa lotérica da Alameda Aristiliano Ramos. Por ter compromissos profissionais em horários flexíveis, ele diz que não pode passar horas na fila para realizar as operações financeiras. “Meu telefone toca e eu tenho que sair correndo, é uma falta de consideração essa situação, já não sei mais como fazer, desanima seguir em frente depois de tudo que passamos na última semana”, lamentou.

Airton Ramos