Alto Vale
Crédito: Ailton Carlos Coelho

Reportagem: Gabriela Szenczuk/DAV

Algumas obras realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e transportes (DNIT) na BR-470, no Centro de Apiúna, têm chamado a atenção de moradores e motoristas que transitam pelo local. Na cidade lombadas eletrônicas foram instaladas no piso tátil de auxílio aos deficientes visuais e no meio da calçada, o que pode dificultar a passagem de pedestres e cadeirantes, por exemplo. Outra reclamação é em relação ao asfalto da região central que em menos de 30 dias após realização de obras começou a se dissolver.

O chefe da unidade local do DNIT, Cristiano Zulianello, explica que a empresa responsável pela implantação das lombadas fez o trabalho de forma inadequada e já foi determinada a realocação dos equipamentos o mais rápido possível. André Cordeiro, líder do projeto da empresa Perkons, responsável pela obra, pediu desculpas pelo ocorrido e admitiu que de fato foi uma falha de execução. Ele ainda disse que a mudança de local do equipamento, de acordo com a decisão do DNIT, será feita em breve.

Cristiano ainda esclarece sobre as obras no asfalto do Centro. “O asfalto não dissolve. O material empregado na pavimentação se chama concreto asfáltico, o qual o asfalto é um dos componentes.” O chefe do DNIT admite que a obra apresentou problemas, mas explica que os defeitos ocorridos se chamam exsudação, que é quando o concreto asfáltico apresenta a superfície com aspecto mais liso e também afundamento nas trilhas de roda, vindas de deformações causadas pela passagem dos carros. “Com o passar dos anos, o refino do petróleo evoluiu muito e hoje é possível extrair mais produtos antes de se obter o concreto asfáltico. O fornecido hoje é parte da sobra do refino do petróleo, com propriedades inferiores às que apresentava há alguns anos”, esclarece.

Segundo ele, o DNIT já exigiu que a Setep, empresa que detém o contrato de restauração, realize as devidas correções no pavimento, o que não gera mais gastos para a União, pois os trabalhos fazem parte da garantia da obra. Ficou determinado, então, que em todos os remendos da via será utilizado o Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP) modificado por borracha. “Isso foi uma decisão da empresa, que vai pagar mais caro na matéria prima sem receber por isso, para garantir a qualidade da obra.”

Cristiano aproveitou a oportunidade para falar sobre a nova rótula no acesso à Ascurra, dizendo que todas as dimensões da obra estão adequadas e dentro das normas vigentes do DNIT. “Não há nada de errado com as dimensões da rótula. De fato, quando um caminhão de grande porte acessa a rodovia a partir do centro da cidade, em direção a Rio do Sul, é necessário sim que o motorista contorne o canteiro central, num giro de 270° para então acessar a rodovia para o oeste”, explica. Ele diz, ainda, que a necessidade de realizar esta manobra é bastante comum em interseções deste tipo, e ocorre em função da pequena largura da faixa de domínio no local. “No caso, a faixa de domínio tem a largura total de 40m, sendo 20m para cada lado, contados a partir do eixo da rodovia. Essa pequena largura não permite que sejam implantados os retornos de acesso à rótula com maiores raios de giro, a menos que sejam feitas desapropriações. Quem afirma que a realização da manobra do contorno central é sinônimo de obra de má qualidade demonstra total desconhecimento de engenharia rodoviária e de suas normas. Inclusive, vale frisar que as normas brasileiras são fortemente inspirações das normas americanas e europeias”, conclui.

O DNIT deve contratar ainda em 2020 os projetos para continuação da duplicação, partindo do km 73, em Indaial, até a interseção com a BR-116/SC no município de São Cristóvão do Sul, no km 233, com a probabilidade de que os projetos incluam o contorno viário de Ascurra.