Alto Vale
Foto: Orlando Pereira

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Nesta quinta-feira (22), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em parceria com a 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ituporanga e o 13º Batalhão da Polícia Militar de Rio do Sul, iniciou a operação Deméter para investigar o uso e comercialização de agrotóxicos ilícitos na região. Os trabalhos começaram cedo, às 6 horas e os agentes deram cumprimento a mandados de busca e apreensão em quatro municípios do Alto Vale.

Foram cerca de 80 agentes envolvidos na operação, entre Gaeco, 13º Batalhão da Polícia Militar de Rio do Sul, da Polícia Militar Ambiental, da Fazenda Estadual, do Instituto Geral de Perícias (IGP) e de técnicos da Companhia Integrada de Desenvolvimento agrícola (Cidasc), em Aurora, Rio do Sul, Major Gercino, Imbuia, Ituporanga, Guaramirim e União da Vitória/PR. Ao todo, foram proferidos 19 mandados de busca e apreensão pela 2ª Vara da Comarca de Ituporanga para todo o Alto Vale.

A equipe investiga um suposto esquema criminoso de comercialização e produção ilegal de agrotóxicos. A suspeita se direciona a crimes de organização criminosa, ambientais, e infrações específicas no que diz respeito à legislação que regulamenta o uso de agrotóxicos. Os envolvidos teriam comercializado ilegalmente os produtos na região do Alto Vale do Itajaí, Oeste do estado, e quatro municípios do Paraná: Curitiba, Lapa, São José dos Pinhais e Quitandinha.

O coronel do 13º BPM, Anderson Melo Maia, explica que os trabalhos já começaram há sete meses com uma grande investigação e por isso, os mandados de busca já tinham lugares definidos.

“São agrotóxicos que não têm o uso previsto no Brasil, não são catalogados pelo órgão competente, produtos de origem ilícita. Há um conjunto de pessoas que trabalhavam com esse produto, alguns também faziam fracionamento e misturavam com outros produtos para aumentar o volume e distribuir. Uma organização que trabalhava nesse sentido. Aí, a PM e o MPSC passaram atuar e acompanhar a situação no Alto Vale. Situação essa que fugia das fronteiras do estado e por isso tivemos atuação até no Paraná”, comenta.

Já o comandante da Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina, tenente-coronel Marledo Egídio Costa, contou que esta etapa foi desenvolvida com a ideia de executar buscas e apreensões em locais que já foram apontados como áreas de possível prática de crimes com relação ao agrotóxico. “Foram encontradas irregularidades como manuseio, fracionamento de produtos de forma ilegal e até alteração da composição química dos materiais. Importação ilegal de materiais de agrotóxicos não permitidos e não registrados no Brasil e uso deles para culturas que não são autorizadas. Foram apreendidos bastantes materiais de informática, telefones, agrotóxicos e documentação para comprovar a prática de delitos e duas pessoas foram conduzidas pelo grupo para serem ouvidas”.

De acordo com o promotor de Justiça da comarca de Ituporanga, João Paulo Bianchi Beal, ao receber informações da Agência de Inteligência do 13º BPM, foi instaurado um procedimento para apurar os fatos e após isso começaram as investigações.“A investigação ocorre sob sigilo e há um vasto material apreendido que precisa ser analisado para que posteriormente sejam identificadas as pessoas, possíveis crimes, e verificados os crimes, se buscará a responsabilização dos envolvidos”, completa.