Alto Vale

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

O Consórcio Ebrax, do Rio Grande do Sul foi o vencedor da licitação para a recuperação da SC-425 em Mirim Doce, mas a obra aguardada há cerca de 10 anos pela comunidade pode ter mais problemas pela frente. É que a empresa gaúcha pertence a um grupo econômico que está em recuperação judicial, o que coloca em xeque a capacidade de realização dos trabalhos e traz a tona a preocupação com a conclusão da obra que custará R$9,4 milhões.

A licitação foi anunciada pelo Governo do Estado em junho, mas até agora a ordem de serviço não foi assinada. Procurada, a Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade declarou através de sua assessoria de imprensa que a ordem de serviço deve ser assinada nos próximos dias pois a pasta ainda aguarda a documentação que deve ser apresentada pela empresa. Questionada sobre a recuperação inicial, a assessoria declarou ainda que isso não é motivo legal de impedimento para que a vencedora da licitação execute a obra que tem duração prevista de 12 meses.

O trecho de quase oito quilômetros é motivo de preocupação para motoristas, em razão das más condições da rodovia. O jornalista Leonardo Xavier tem família em Mirim Doce e vai para a cidade todas as semanas e enfrenta as dificuldades causadas pelo péssimo estado de conservação da rodovia. “Está horrível, uma parte não tem mais nem asfalto só estrada de chão e buraco. Aí usam um tipo de pedra que estoura pneus, danifica amortecedor e acaba dando prejuízo”, opina.

Ele comenta ainda que na sua opinião esta não é uma obra cara para o caixa do Estado e o que falta é pressão política. “Falta articulação política para encaminhar logo isso e falta prioridade do Governo do Estado. A manutenção paliativa que os municípios podiam fazer que é patrolar, cascalhar e compactar com o rolo para deixar mais tranquilo é feito com um espaço muito grande de tempo e na maior parte do tempo a rodovia está horrível e é o principal acesso da cidade”.

Edilaine Novaes mora em Mirim Doce e afirma que a situação é uma vergonha. “Isso não tem outra explicação, é falta de vontade. Temos deputados estaduais, federais, governador para fazer a coisa acontecer e está faltando vontade. Para tudo se dá um jeito e nós estamos esperando há dez anos. A verdade é que somos menos de 2.500 habitantes e para eles não convém investir nesses votos. Meu filho passou mal essa semana de madrugada e tive que levá-lo para o pronto socorro, em Pouso Redondo. Mais desesperador que estar com um filho desmaiando é ter que passar por esse trecho nessas condições”, disse.

A licitação para restauração do acesso à Mirim Doce abrange não apenas a recuperação do pavimento, mas a terraplanagem, drenagem, sinalização e outros serviços no trecho de 7,7 quilômetros, que vai do acesso ao município até o entroncamento com a BR-470. De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Infraestrutura do Estado, o prazo de execução é de 12 meses.

O prefeito do município, Bernardo Peron (PSD), comenta que o município aguarda a assinatura da ordem de serviço, mas não recebeu nenhum prazo de quando isso deve acontecer. “A rodovia está muito ruim, estamos cobrando mas nos passaram que tem que aguardar a ordem de serviço”, finaliza.