Alto Vale

Reportagem: Rafaela Correa /DAV

O momento mais aguardado pelos pacientes do Centro Oncológico de Rio do Sul é o término do tratamento quimioterapeutico. É por isso que a última sessão dá direito ao toque do sino, um ato que representa vitória e alívio. O fim das sessões não significa cura, porque alguns deles ainda vão precisar de outros tipos de tratamentos ou cirurgias, mas simboliza o fim de momentos difíceis.

Neuza Correa foi diagnosticada com tumores malignos na mama direita, no ano passado. Desde então ela passou por diversos tipos de exames e o médico relatou que o tratamento mais eficaz no caso dela seria a quimioterapia. Ela lembra que sentiu medo, mas resolveu se apegar nas chances de cura. “Eu tive medo sim. Tive medo de não me curar, tive medo quando as reações das aplicações começaram a aparecer, fiquei triste com o meu cabelo que passou a cair dia após dia. A pandemia também me deixou assustada. Graças a Deus consegui tocar o sino hoje e estou bem”, disse.

Durante a pandemia algumas mudanças foram colocadas em prática, a fim de evitar aglomerações. “Antes as pessoas acabavam as sessões de quimioterapia e marcavam uma data para tocar o sino em grupo com uma cerimônia e tudo mais. Mas com o aumento de pacientes na oncologia, automaticamente aumentou o número de pessoas que precisam bater o sino, então estamos fazendo isso individualmente. No dia do término da quimioterapia nós comunicamos o paciente, os preparamos e quando a pessoa acaba já toca o sino. Nós batemos fotos, uma enfermeira faz vídeos bonitos e emitimos um certificado de conclusão de quimioterapia. O certificado é uma inspiração que vi em outros hospitais. É algo simples e bonito”, comenta Genalize Lorenzetti, enfermeira do Centro Oncológico de Rio do Sul.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelos que aguardam atendimento, os profissionais buscam oferecer conforto para que se sintam acolhidos em meio às reações trazidas pela medicação. Para Neuza, o atendimento recebido pelos médicos, enfermeiras foi muito satisfatório. Ela destaca que há muito respeito e competência por parte dos profissionais. “Sempre fui bem atendida. Elas fazem um ótimo trabalho com os pacientes, conversam e são muito gentis. Essa boa vontade é essencial com a gente que já está passando por tantas dificuldades. Hoje eu até trouxe um presentinho. É uma forma de demonstrar a minha gratidão por cada um”, afirmou.

Os diagnósticos dos pacientes são distintos, cada um recebe uma indicação diferente de acordo com o que é mais apropriado para seu caso, mas ao final de cada tratamento na unidade oncológica, o sino será tocado. “Eu ainda vou passar por uma cirurgia de retirada de mama. O médico julgou necessário no meu caso, mas estou feliz por estar concluindo a quimioterapia. A cura está cada vez mais próxima. Eu não sabia que teria que tocar o sino, mas é emocionante”, concluiu Neuza.

Segundo Genalize, ver o paciente tocar o sino, se recuperar é motivo de alegria e emoção. “Normalmente eles se emocionam, gostam muito, tem carinho e a gente acaba se emocionando também”, completa.

Questionada sobre a dificuldade durante a pandemia, ela respondeu que os pacientes estão se cuidando. “Já houve casos de pacientes aqui da oncologia que foram infectados, infelizmente um veio a óbito, mas outros conseguiram se recuperar”, finaliza Genalize.