Alto Vale
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Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

Na semana em que o mundo contabilizou um milhão de mortos pelo coronavírus, o Brasil começa a sentir uma melhora significativa na quantidade de casos. Depois de quase sete meses de isolamento é indiscutível que a pandemia ficará marcada na história do mundo e na memória daqueles que perderam familiares e amigos. No Alto Vale foram registradas 66 mortes, de acordo com a atualização da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi) até às 18 horas dessa terça-feira (29). Agora, pacientes que conseguiram se recuperar da doença relatam uma nova chance e um novo olhar para a vida.
A moradora de Ituporanga, Chirles Ferreira Esser, enfrentou o coronavírus há cerca de um mês e conta que desde o momento em que descobriu a doença até após a recuperação, o sentimento foi de pânico, já que ela passava por uma doença desconhecida e que a princípio não tinha tratamento. “Eu descobri que tinha contraído o vírus no final de semana, sentia calafrios e me parecia o início de um resfriado normal como costuma dar na mudança de clima, então decidi consultar e assim que contei meus sintomas para o médico ele já me afastou, eu fiquei isolada da terça até a segunda esperando para fazer o exame, nesse meio tempo fiquei muito mal, deu falta de ar, tive muita dor de cabeça, tosse e diarreia, aí na segunda eu fui fazer o exame achando que não seria nada, mas acabou dando positivo, aí eu continuei isolada e fui melhorando, mas a sensação de saber que eu tinha pego a doença foi bem tensa”, relata.
A ituporanguense ainda explica que não acreditava que poderia ter contraído o vírus, já que a família sempre tomou todos os cuidados. “Eu não imaginava que tinha pego pois no lugar que eu trabalho eu ficava isolada com todos os cuidados necessários, e desde que começou a pandemia a gente não saiu mais de casa, tomou todos os cuidados e mesmo assim eu peguei, e aí a gente fica se perguntando: de onde? Como? E além disso, a princípio eu fiquei com medo de falar para minha família pois não queria preocupar a todos, mas aí comentei com uma tia minha e ela me disse que seria melhor eu falar, pois as vezes minha família iria pedir para me visitar e eu não poderia recebê-los, aí liguei para eles e contei, foi bem complicado pois se tratando dessa doença todo mundo fica assustado, nervoso e preocupado”, relata.
Depois de enfrentar a doença, já recuperada e sem sintomas Chirles conta que o que mais assustou foi uma forte falta de ar que permaneceu por algumas semanas, mas que com o passar do tempo a sensação foi diminuindo, apesar disso, segundo médicos essa pode ser uma das sequelas deixadas pelo coronavírus. “Depois que o médico me deu alta eu comentei com ele que estava achando estranho pois não podia andar muito rápido, não podia correr ou brincar muito com a minha filha, não podia fazer muito esforço pois me dava uma falta de ar muito forte, então ele me disse que essa é uma das sequelas, hoje eu sinto a falta de ar, mas é muito pouco”, esclarece.
Depois do susto, Chirles relata um sentimento de alívio, já que a sua maior preocupação sempre foi com os filhos pequenos. “Eu tenho duas crianças em casa e me sinto aliviada por elas não terem tido nenhum sintoma, fiquei muito assustada e com medo por mim também, mas passou graças a Deus, agora tenho um novo olhar para as pessoas”, finaliza.
Outra moradora do município que preferiu não se identificar conta que também enfrentou a doença e apesar de ter passado por momentos difíceis por causa dos fortes sintomas, se sente aliviada por não ter ficado em estado grave. “Meus sintomas começaram quando comecei a perceber muitos calafrios e muita fraqueza, aí fiz o exame de laboratório e deu positivo, então o médico já me mandou fazer o raio x e deu que meus pulmões já tinham sido atingidos pelo vírus, como eu não tive muita falta de ar ele me deu os medicamentos e ficou me acompanhando todos os dias. Depois fui em um médico em Blumenau e fiz um novo raio x, ali ele me disse que apesar de o vírus ter atacado meus pulmões eu não tinha mais risco. Mas eu fiquei muito fraca, cheguei perder até a visão e depois perdi todo meu paladar e olfato, não sentia gosto nenhum independente do que eu comia”, relata.
A moradora de 55 anos conta que após passar pela doença ainda se sente bastante fraca, mas que apesar dos momentos difíceis agora comemora a recuperação sem maiores complicações. “Eu ainda tenho bastante fraqueza, acho que isso foi um tipo de sequela que ficou pois como atingiu meu pulmão pode ter ficado. Agora depois de passar pelos sintomas mais graves estou contente por eu e minha família estarmos bem”, finaliza.