Cidade

Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

Um movimento de pais de alunos de escolas particulares de todo o estado vêm pedindo o retorno das aulas para estudantes da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio. Em Rio do Sul não é diferente. No município um grupo de pais e familiares também vêm reivindicando o retorno das atividades presenciais e alega que essa não é somente uma solicitação, mas um direito de acesso à educação.

Raquel Faller é mãe de duas meninas que estudam em uma escola particular de Rio do Sul e explica que a escola já tinha retomado as atividades de forma escalonada na última semana após ter o Plano de Contingência aprovado pelo Comitê Municipal que avalia o retorno. Ela explica que se juntou ao movimento pois também busca apenas o direito das crianças do acesso à educação. “Existe uma grande movimentação das redes privadas para o retorno das aulas presenciais mas com a nova portaria da última sexta veio tudo por terra, pois o Sindicato dos Professores entrou com uma ação judicial e fez com que os secretários do Estado revogassem a portaria que permitia o retorno nas áreas em situação Grave”, explica.

Ivania Guckert Coelho é outra mãe que faz parte da comissão de pais de uma escola particular do município e comenta que na visão deles as escolas foram as que mais se prepararam para o retorno. “Eu não vi em nenhum outro nicho de mercado e de atividade econômica que tenha se preparado tanto quanto as escolas privadas para o retorno das aulas, com protocolos, investimento financeiro alto, treinamento de colaboradores e professores, todas as medidas de distanciamento. É um documento extremamente complexo, muito bem elaborado com todas as medidas de segurança para que as crianças retornem com segurança tanto para elas quanto para os professores quanto para familiares”, avalia.

Ivania ainda ressalta que a preocupação de todos é com a segurança das famílias dos professores e também das crianças. “O nosso objetivo é que a gente tenha o direito de que nossos filhos possam frequentar a escola sem prejudicar aqueles que não acham seguro para seus filhos. Então a retomada é gradual e hibrida com toda a segurança, pois nenhum setor se preparou tanto para a volta como as escolas. A gente não pensa em ano letivo, a gente pensa em educação até para o próximo ano, pois 2020 não vai embora e com ele vai o covid, a gente vai ter que conviver com essa doença por muito tempo ainda. Se a gente não se mobilizar agora nem para o próximo ano pelo menos no primeiro semestre a gente não vai ter o direito de que nossos filhos tenham aula presencial”, justifica.

No documento elaborado pelos pais eles apontam o exemplo de outros países que retomaram as atividades escolares e Ivania ressalta que a educação deveria ser tratada como serviço essencial. “No Brasil as aulas não estão sendo tratadas como algo essencial, em outros países a gente vê que bares, cinemas e outras coisas não abriram, mas as escolas abriram. Hoje as crianças podem ir na natação, podem ir no curso de inglês, elas estão indo no comércio, estão indo nos mercados e estão tendo contato umas com as outras só não pode ir pra escola”, esclarece.

Em Florianópolis o movimento ‘Pais pela educação’ que também pede pelo retorno das aulas preparou um documento como forma de manifesto, no qual os pais indicam que a quarentena escolar não possui fundamento científico. Gabriela Benedet é moradora de Florianópolis e faz parte do grupo. Ela comenta que o documento foi encaminhado aos secretários de Estado, para o prefeito de Florianópolis e para as direções dos colégios além do Ministério Público. “Nesse manifesto nós indicávamos que já não fazia mais sentido a quarentena escolar que ela não tinha fundamento científico nenhum e que as crianças estavam adoecendo em casa em razão dessa quarentena escolar. Ali nós indicamos que criança não é vetor e que entre crianças existe baixa taxa de transmissão, que escola não é foco de contaminação e indicamos com estudo científico nesse sentido. A gente percebe que quando a gente acha que as aulas vão voltar vem um fato novo e acaba impedindo que o retorno aconteça”, relata.

A Associação Empresarial de Rio do Sul (Acirs) também se manifestou sobre o assunto através de nota. O documento dizia que os profissionais que atuam na gestão das escolas integrantes do Núcleo de Instituições de Ensino da Acirs, responsáveis pela elaboração do documento intitulado “Manifesto para a reabertura das escolas particulares da cidade de Rio do Sul”, reforçaram a discussão referente às suas preocupações e demandas ao prefeito em exercício de Rio do Sul, Jairo Wehmuth Junior.

O prefeito em exercício, Jairo Wehmuth Junior, disse que fará o encaminhamento do documento para a Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi). “Esse nosso apoio, infelizmente, é restringido por alguns aspectos, mas isso não vai fazer com que a gente não se mobilize. Vamos encaminhar esse manifesto diretamente à Secretaria de Estado da Saúde e à governadora de Santa Catarina. O encaminhamento será feito à Amavi, com a ideia de envolver todos os outros municípios da região, e iremos juntar esforços e fazer também uma mobilização através da Fecam e dos nossos deputados”, disse.