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O planejamento de paisagens sustentáveis é o tema do II Seminário Diálogo do Uso do Solo na Mata Atlântica, que começou na tarde de ontem e segue até amanhã no Parque Universitário Unidavi, em Rio do Sul. O evento é promovido pela Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) junto a diversas entidades da região.

Durante o seminário, os organizadores irão discutir com especialistas e representantes de setores da indústria, comércio e agricultura, além de autoridades, a construção de uma paisagem sustentável para a região.

A programação prevê o debate de oito temas, entre eles a identificação de áreas importantes para a ampliação e desenvolvimento do turismo, a recuperação de áreas de preservação permanente e reservas legais, a criação de corredores ecológicos, a implantação de unidades de conservação, municipais, estaduais, federais ou particulares, além de áreas com ameaça de risco de enchente ou deslizamento. “Vamos tentar colocar isso tudo em um mapa e apontar ações prioritárias para cada um desses temas, para depois oferecer o resultado mapeado para a sociedade em geral, mas principalmente para os órgãos públicos, empresários, agricultores e para as pessoas que intervém na paisagem no dia a dia”, afirma um dos organizadores do seminário, Wigold Schäffer.

A iniciativa, segundo Schäffer, é inédita, tanto que atraiu pessoas de outros estados e até de outro país. “Não foi feito em nenhum lugar do país e a gente reuniu além de conhecedores e especialistas da região, especialistas de outros estados que querem levar essa ideia para os seus estados e tem também uma representante de Moçambique, na África, que quer levar esse processo para lá”, revelou.

Para a Apremavi, uma paisagem sustentável é onde os seres humanos e suas atividades econômicas como a agricultura, pecuária, indústria, e comércio atuem na maior harmonia possível com os recursos naturais. “Se nós não tornamos esses ambientes sustentáveis, não tem como essas atividades sobreviverem a longo prazo”.

A extração de madeira e a agricultura foram as primeiras atividades que provocaram a degradação da natureza na região do Alto Vale, com a chegada dos colonizadores, que tinham essas duas atividades como principais meios de sobrevivência.

O gerente regional da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Daniel Schmitt, que participou no primeiro dia do seminário, comentou que cada vez mais se tem estudado e promovido alternativas tecnológicas para tornar o trabalho na agricultura menos degradante para a natureza. “Principalmente usando técnicas de conservação do solo e da água, que estão sendo aplicadas e que já reduziram principalmente a erosão, que é a perda de solo, do assoreamento dos rios e outras questões que derivam desse uso desregrado do solo, mas tem muito para fazer ainda”, declarou.

A educação ambiental, através de campanhas de recuperação da mata ciliar e a preservação de encostas, são algumas das ações utilizadas para a promoção da conscientização. Schmitt acrescenta ainda que o desafio da Epagri é apresentar propostas e tecnologias que sejam viáveis, tanto para a economia quando para a sustentabilidade. “Nós temos que preservar determinadas áreas, preservar a água, mesmo que isso signifique perdas econômicas, mesmo que signifique que determinada área do terreno não vai poder ser utilizada, é necessário tanto no meio rural, quanto no meio urbano”, concluiu.

Albanir Júnior