Alto Vale
Foto: Arquivo/DAV

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

No dia 20 de março de 2020, as primeiras medidas restritivas em relação a um vírus desconhecido foram anunciadas em Santa Catarina. Aulas canceladas, proibição de eventos, empresas e comércios não essenciais fechados. Naquele momento alguns concordavam com as restrições e aprenderam formas de tentar se proteger, outros não sabiam o que estava por acontecer, mas o medo certamente esteve presente na vida das pessoas.

Nos períodos de suspensão das atividades muitos ficaram em casa e aproveitaram o tempo para ficar com a família, refletir suas ações e pensar com mais carinho no próximo. Outros pensavam de forma ansiosa em como sustentar suas famílias sem trabalho. Tudo era incerto.

Os municípios começaram a planejar ações e impor restrições para evitar um colapso no sistema público de saúde, uniram-se para fortalecer a região e mesmo assim, a sensação de impotência diante do Coronavírus era evidente. A cada dia que passava novos casos foram surgindo e então as primeiras internações, primeiras complicações, sonhos foram se desfazendo aos poucos, sozinhos, em leitos de UTI. E quantos não conseguiram um leito?

Enquanto tudo isso acontecia, a única esperança da população era a vacina. Os cientistas trabalharam muito até chegar a uma fórmula eficaz, mas conseguiram. No entanto, foram surgindo variantes e novas incertezas. Mas felizmente, os casos foram diminuindo e agora, dois anos após o início da pandemia, as pessoas receberam a chance de escolher usar ou não as máscaras, frequentar ou não lugares com maior número de pessoas.

A secretária de Saúde de Rio do Sul, Roberta Roberta Hochleitner, faz um balanço do período e afirma que os dois últimos anos foram marcados por dificuldades e decisões. Foram mais de 18 mil pessoas infectadas, dessas, 98% conseguiram se recuperar e 155 foram a óbito, o que eleva a taxa de letalidade a 0,85% no município.

“Foi um momento que tivemos que diminuir os atendimentos nas unidades de saúde e dividir equipes para trabalhar dentro do Hospital Regional. Tínhamos muitos pacientes aguardando por leitos de UTI, vindos de outros municípios e estados. Foi um momento de decisões imediatistas porque não podiam ser deixadas para amanhã, tinham que ser tomadas naquele momento”, comenta.

A diretora executiva do Hospital Samária, em Rio do Sul, Elisângela Scheidt Roncálio, conta que nos primeiros meses de pandemia trabalhava como secretária de Saúde em Ituporanga e também fez parte de um grupo a nível regional e depois estadual para combate da pandemia. Para ela, a pandemia ainda não acabou e há muito para ser feito.

“Jamais pensei, em toda a minha vida profissional de 27 anos na área da saúde, que fosse acontecer. Dois anos, dois momentos diferentes, o primeiro como secretária de Saúde e o segundo como diretora de um dos maiores hospitais públicos de SC. Felizmente, sem esquecer as pessoas que se foram, o cenário foi mudando com o avanço da vacinação e o sistema de saúde conseguiu desafogar.”, afirma.

Ela acrescenta que muitas perguntas em relação à pandemia ainda não possuem respostas, mas incentiva a continuação dos cuidados com a higiene. “A estratégia mais efetiva é a vigilância, manter os cuidados de higiene, mesmo com a flexibilização e não obrigatoriedade do uso das máscaras devemos continuar com as estratégias de cuidado e com isso, conseguiremos proteger a nós e quem está a nossa volta. Deixo meu pedido para que todos fiquem atentos, cuidem-se e vacinem-se”, finaliza.