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Helena Marquardt/DAV

Em entrevista ao Jornal Diário do Alto Vale nesta quarta-feira (24) o presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Santa Catarina (Fehoesc), Giovani Nascimento falou da situação dos hospitais diante do agravamento da pandemia, que tem levado a lotação máxima de leitos de UTI na maioria das regiões.

“A Fehoesc tem acompanhado a evolução da pandemia, até porque temos uma cadeira cativa junto ao COES que é o Centro de Operações de Emergência em Saúde, que cuida do combate a Covid e temos enxergado a situação com muita preocupação. Entendemos que não houve primeira ou segunda onda. O que está acontecendo é uma falsa impressão na população de que o vírus deu uma acalmada e na verdade não deu. A pandemia nunca esteve num grau tão acentuado de crescimento como nos últimos dias”, disse.

O presidente da Federação, cita que os hospitais de Ituporanga, Rio do Sul e Ibirama estão operando com capacidade máxima de leitos de UTI para covid e acredita ainda que a situação deve se agravar nos próximos 15 dias. “É importante que o governo faça a sua parte e está fazendo, os hospitais estão fazendo, e que a população entenda que estamos vivendo uma nova realidade. Não adianta pensar que com a vacina agora as coisas vão se acalmar e se resolver. Todos precisam fazer sua parte obedecendo as regras”, disse.

Giovani destacou que muitos não têm cumprido o isolamento social indicado para o enfrentamento da covid e é o momento de pensar no coletivo e abrir mão de eventos sociais. “Isso está muito claro e disposto para todos, o difícil é que as vezes as pessoas não querem entender”, desabafa.

Ao falar sobre o anúncio do governador Carlos Moisés da Silva que garantiu R$ 600 milhões para a reativação de leitos na rede privada, ele declarou que o problema não é a estrutura física, e sim a falta de profissionais que dificultaria a abertura de novos leitos. Ele explicou ainda que a regulação é estadual e que diante da falta de vagas, pacientes podem ser transferidos para qualquer região. “Não podemos entender apenas como uma região, somos um estado e existe um número de leitos para atender a população. É óbvio que quando saturar em uma vai ser transferido para outra. O que importa é tentar salvar a vida de alguém que esteja precisando de um leito de UTI”, falou.

Santa Catarina já ultrapassou a marca de sete mil óbitos por Covid, mas para ele ainda é cedo para falar em colapso no sistema de saúde. Giovani acredita que o estado vive um momento de extrema atenção. “Já estamos no limite e se agravar como temos previsão fica difícil de atender toda a população”, finaliza.

Infectados na UTI geral em Ibirama

No Hospital Dr. Waldomiro Colautti em Ibirama a UTI covid está com todos os leitos ocupados. A diretora da instituição, Silvana Leite da Costa, conta que a UTI geral também está lotada e recebeu inclusive um paciente com coronavírus, já que a equipe médica não conseguiu transferência para outra unidade em nenhuma região do estado. “A situação é realmente muito preocupante. Ontem a Secretaria de Estado da Saúde solicitou ofício pedindo para que os hospitais se manifestassem, quais teriam capacidade estrutural de ampliar leitos de UTI e respondemos que o Waldomiro Colautti teria condições de ampliar mais 10 leitos, claro com a Secretaria dando todas as condicionantes como RH necessário, equipamentos, insumos, medicamentos e ampliação de contratos. Tudo foi detalhadamente descrito e já está em análise da Superintendência dos Hospitais Públicos que está numa força-tarefa mapeando as possibilidades”, revelou.