Alto Vale
Foto: Jolandir da Cunha

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

O município de Laurentino inaugurou na tarde desta quinta-feira (8) o Parque Paleontológico José Loreno da Cunha, localizado na Serra Laurentino. A paleotoca onde foi construída uma escultura da preguiça gigante que viveu no local há 50 mil anos será mais um ponto de visitação turística no município. Em razão da pandemia, a inauguração teve a participação de apenas alguns convidados.

O espaço que agora é aberto ao público ainda conta com uma trilha às margens da via, a trilha do Xaxim Bugio. Ela leva esse nome porque ainda existe no local uma árvore dessa espécie e que está ameaçada de extinção no Brasil. Os recursos investidos para construção do parque fazem parte de um projeto chamado “Crie sua RPPN”, que pertence à Associação Ambientalista Pimentão. Já a prefeitura também foi parceira do projeto e fez a parte de tubulação e a concretagem do espaço.

O proprietário do terreno, Jolandir da Cunha, conta que o investimento de aproximadamente R$30 mil veio do Conselho do Meio Ambiente e que o valor é oriundo de pagamentos de infrações que foram destinados especialmente para serem investidos na área. “O investimento é baixo, mas o parque vai se tornar referência na região. Além disso, a prefeitura ajudou com a tubulação e concreto também”, afirma.

Na entrada do parque que leva o nome do antigo proprietário do terreno, pai de Jolandir, foi construída uma escultura que imita uma preguiça-gigante, de 1,3m de altura por 2,5m de largura. O homem que mora na propriedade há quase 50 anos explica que na época em que foi morar na cidade, ele era muito pequeno e que a estrada ainda passava por outro local.

Quando fizeram a abertura de uma nova estrada, em 1975, os trabalhadores acharam o que até então pensaram ser apenas um buraco feito por indígenas. “Nós achávamos que era toca de índio, mas em 2011, com a enchente, uma parte da estrada desmoronou e cortaram mais um pedaço da toca e ela ficou mais curta. Em 2015, um professor entrou em contato com um pesquisador de outro estado e pelas características chegaram a conclusão de que se tratava de uma paleontoca, a casa de uma preguiça-gigante. Ele analisou os vídeos das tocas e chegou a essa conclusão porque esses animais eram comuns na América há milhares de anos”, explica.

Na época a família ficou surpresa com a descoberta e como o terreno agora é de Jolandir e seu irmão, decidiram doar parte dele para ser preservado. “Eu faço parte do Conselho do Meio Ambiente e surgiu a ideia de disponibilizar o espaço para preservação. Fizemos um documento, uma RPP que é para área de preservação equivalente a 2,1 hectares. A área continua sendo minha, mas eu não posso modificar nada”, comenta.

O proprietário destaca que a outra parte da propriedade ainda é utilizada por ele para a produção de mudas ornamentais e que fica muito feliz por poder estar no lugar onde foi criado e ainda poder contribuir com a história do município.

“A nossa família é muito grata, principalmente por ter a oportunidade de poder preservar a história e pelo parque levar o nome do nosso pai, que era o dono do terreno”, completa.