Alto Vale, Esporte
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Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

Um projeto de inclusão social para pessoas com deficiência vem transformando a realidade de 20 famílias do Alto Vale. O Pernas Solidárias é uma iniciativa a nível nacional que há cerca de cinco anos se tornou o propósito de vida de um morador de Rio do Oeste. As corridas com triciclos se transformam em sorrisos no final de cada prova e as pessoas se sentem mais especiais a cada competição.

Ricardo Amorim é o idealizador do projeto e conta que a ideia surgiu de uma forma curiosa na vida dele, já que antes ele não tinha nenhum envolvimento com a área de esportes. “Há uns cinco anos atrás eu estava muito acima do peso e era muito cobrado para emagrecer por causa da saúde, então fui participar de uma corrida de rua em Joinville, estava bem gordinho na época tentando correr e do meu lado na largada tinha um pessoal com triciclos e com um baita sorriso no rosto, os cadeirantes radiantes e os condutores também. Naquela hora eu vi que estava depressivo e tentando achar algum motivo para continuar correndo, mas quando vi aquelas pessoas eu percebi que podia correr livremente, que podia utilizar minhas pernas e aí corri aqueles 10 quilômetros pensando no que eu poderia fazer para ter um propósito de vida. Eu sempre busquei um propósito, e depois de acompanhar aquela alegria das pessoas nas cadeiras de roda eu pensei que tinha que trazer isso para o Alto Vale”, relata.

Ricardo conta que a partir daí tomou a decisão de iniciar o projeto em Rio do Oeste e começou comprando um triciclo, depois com a parceria da Junior Chamber International (JCI) conseguiu adquirir mais dois equipamentos, foi aí ele começou a participar em diversas provas na região com condutores voluntários. “Meu primeiro atleta foi o Daniel, é um ser humano muito especial e a primeira competição me marcou muito, foi muito incrível correr com ele, o olhar dele era fascinante, a alegria e aquilo me motivava a conduzir mais e fazer esse processo crescer”, lembra.

Em 2019 o projeto ganhou um novo rumo, Ricardo conta que foi naquele ano ao apresentar o TEDEx Rio do Sul que conseguiu gratuitamente através de apoiadores mais 10 triciclos. “A partir daí participamos de sete provas em Joinville, em Rio do Sul, Rio do Oeste e vários outros lugares. Hoje tenho 20 pessoas no meu cadastro de pessoas com dificuldades de locomoção e no cadastro de condutores voluntários eu tenho cerca de 40 então estamos com um time bem legal”, ressalta.

Hoje o time trabalha com 16 triciclos e tem uma vasta equipe de voluntários, ele conta que o esporte transformou a vida não só dos cadeirantes mas também dos condutores. “A transformação que a gente causou nas famílias dessas pessoas foi gigante, mas é muito importante incentivar os familiares a colocar essas crianças na rua, pedir que elas deixem as crianças participar de uma competição com 700 pessoas e inseri-las na sociedade é incrível. Nessas competições essas crianças são aplaudidas, são homenageadas, ganham medalha, se divertem e isso faz com que elas tenham um pós corrida durante umas duas semanas que é transformador. A transformação é para o condutor também e as vezes é ainda maior pois correndo com uma pessoa que não consegue andar e muitas vezes não consegue se comunicar faz com que você enfrente todos os seus problemas que são muito pequenos”, relata.

Para o futuro Ricardo espera poder levar a ideia para outras cidades e diz que está a disposição para ajudar a construir o Pernas Solidárias em novos locais. Outra ambição é levar os corredores da região para competições nacionais.

O projeto é sustentado com recursos próprios, todos os gastos que as corridas exigem são pagos pelo gerente de vendas e ele diz que todo o esforço é valido, pois encontrou o propósito de vida que buscava. “Hoje me sinto um homem muito realizado, ver pessoas sorrindo e famílias agradecendo por algo tão simples é incrível, tanto que hoje tem uma pessoa que está montando o projeto em Jaraguá do Sul e estou ajudando pois tenho certeza que vai transformar a vida dele também ”, finaliza.