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Pelo segundo ano consecutivo, a União Brasileira de Compositores (UBC) e o cRio, o think tank da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), realizaram uma pesquisa que aponta de que forma a crise causada pelo coronavírus afetou o mercado da música no ano de 2020. Em Rio do Sul, profissionais relataram dificuldades em seguir na profissão.

Na pesquisa, 611 músicos e 37 empresas do ramo foram incluídas. O resultado mostrou que os rendimentos diminuíram para quase 90% deles.
O músico de Rio do Sul, Cristiano Goulart, disse em entrevista ao Jornal Diário do Alto Vale, que apesar de não viver somente de apresentações ao vivo, as restrições teriam afetado muito a sua renda. “Em 2020, no comecinho de tudo isso, realmente me afetou muito, pelo fato de casas de shows e pubs fecharem as portas para evitar aglomerações, mas logo em seguida quando a vida ‘quase’ voltou a normal, tudo normalizou também, a música ao vivo foi liberada, e os profissionais das artes musicais puderam voltar a ativa. Não vivo de música ao vivo, mas confesso que é um ótimo complemento à receita, e quando fechou tudo de repente, sentimos e muito a diferença”, explica.

Para ele, esse período de mudança nas atividades também estimulou os músicos a buscarem outras formas de se manterem no mercado. “Acho que fora a música ao vivo, quando falamos de mercado fonográfico, os artistas se reinventaram muito durante essa pandemia, investindo muito nas mídias sociais, plataformas digitais, lives e aprenderam a descobrir outros caminhos para mostrar seu trabalho. Claro que para muitos artistas, fazer shows, lotar grandes espaços para divulgação de seus materiais, sempre foi um ótimo caminho, além da satisfação pessoal e o amor de estar no palco, mas na ‘marra’ tiveram de aprender a encontrar outras alternativas”, comenta.

A diretora do cRio ESPM que participou da realização da pesquisa, disse que o estudo é muito importante por se tratar de um setor importante da economia criativa.

Além dos artistas, a crise atingiu os mais diversos elos da cadeia produtiva do setor. Entre as empresas ouvidas pela pesquisa, 40% não demitiram funcionários desde o início do isolamento social, mas 33% tiveram que diminuir os salários dos colaboradores neste mesmo período.
Em Ituporanga, Leandro Vieira trabalhava como músico no início da pandemia e conta que viu a renda cair com as restrições impostas pela pandemia. “Eu tinha uma dupla, a gente tocava bastante. Era uma renda padrão e ficou muito difícil. Quem toca em restaurante, bar ou casa de show às vezes precisa até baixar os valores para que o próprio empresário consiga pagar. A forma de ver a música para o futuro mudou muito. Se eu dependesse apenas da música, tenho certeza que teria passado fome”, completa.

Outro ponto que chama atenção na pesquisa da UBC é a porcentagem de profissionais (50%) que afirmaram ter perdido 100% dos rendimentos no período. Outros 25% perderam até 80%.

O fato de muitos terem toda a renda perdida também fez com os profissionais buscassem por outros trabalhos para garantir o sustento.
Embora os dados sejam bastante assustadores em relação a crise, com a volta das apresentações foi gerada uma expectativa de melhora. Segundo pesquisa, mais de 50% dos ouvidos pretendem continuar vivendo somente da música, mas buscando formas de inovar no mercado. A minoria, equivalente a 2% pretende deixar o mercado.