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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

A Rede de Vizinhos é um programa criado pela Polícia Militar com a intenção de promover proteção através da prevenção e está em andamento desde 2016. Para isso é criado um grupo de Whatsapp com membros dos bairros já instruídos sobre situações de risco que podem contribuir, direta ou indiretamente, para problemas de ordem social. Após quase dois anos sem reuniões presenciais, os encontros com a comunidade foram retomados e a intenção da Polícia Militar de Rio do Sul é ampliar o número de participantes para maior eficácia da rede, no município.

De acordo com o sargento Mathias, o bairro mais ativo da cidade é o Fundo Canoas, onde existem dois grupos em razão da quantidade de membros. Mas ao todo são 1900 pessoas divididas em 30 grupos.

“Ficamos durante todo o ano de 2020 sem o grupo Rede de Vizinhos, a pandemia foi um momento em que nós precisamos bastante do grupo para fazer os avisos para a comunidade e em 2021, mesmo em meio à pandemia e vendo a necessidade de fazer as reuniões, iniciamos na modalidade on-line e muitas pessoas puderam ingressar. Porém, esse contato on-line não é tão próximo entre a Polícia Militar e o cidadão. Então, com alívio das restrições e vendo a situação do sistema de saúde, passa tranquilidade para que a gente possa retomar as reuniões presenciais”, afirma.

Ele ainda comenta que nesse período, pelo menos 100 pessoas fizeram a solicitação para entrar no grupo, mas antes da reunião e cadastro isso não pode acontecer. “Temos cerca de 100 pessoas que fizeram a solicitação nesse período. Elas estão sendo convocadas para serem parte do grupo. Eu as reuni em um pré-grupo da Rede de Vizinhos e estou explicando o retorno das reuniões presenciais e então a gente tem esse trabalho para fazer. As datas das reuniões on-line são nas terças-feiras dias 19 e 26 e 3 de maio a terceira. Vamos tentar dividir as pessoas em grupos e as reuniões serão realizadas na sede do 13º Batalhão. As reuniões são para toda a cidade, tem gente de todos os bairros”, explica.

O capitão da 1ª Companhia de Polícia Militar, Arno Senem, reforça que a ideia é tornar os grupos mais fortes, porque funcionam bem. “O resultado é bom, a população colabora, mas ainda percebemos que existe desinformação por parte de quem integra a Rede de Vizinhos, eles têm dificuldade de entender qual a finalidade do programa. O propósito básico é tratar de questões que indiretamente envolvem a segurança, de questões de ordem pública, exemplo: iluminação queimada, quantidade de casas abandonadas, animais na via, coisas que agente sabe que vão acabar interferindo na ordem pública de forma indireta e quando eu tenho questão de crimes, agressão não é mais questão de rede de vizinhos, seria acionamento pelo 190 para que tenha uma situação repressiva”, esclarece.

O capitão conta que por medo de se envolver, algumas pessoas acabam se omitindo, o que favorece ações criminosas. “A ordem pública é dever do Estado, mas do cidadão também, mas às vezes acabam se omitindo por medo de se envolver ou até por acreditarem que não é função deles. O apelo é para que participem, saibam o que acontece, porque ordem pública quanto mais pessoas se envolverem melhor. O maior problema é que as pessoas não querem ver nem se incomodar e dessa forma acabam protegendo alguém que fez algo de errado”, avalia.

Arno Senem cita exemplos de problemas que devem ser anunciados na Rede de Vizinhos e que passam despercebidos. “A prevenção acontece em vários níveis, um exemplo pode ser uma lâmpada da via pública queimada, que pode interferir porque pode ocultar a ação de algum meliante, indiretamente ela pode interferir na ordem pública e se eu quebrar essa lógica eu passo a agir preventivamente a uma ação criminosa, mas as pessoas terem essa percepção ainda é difícil”, revela.

Ele comenta que a participação de pessoas de bem é fundamental e que por esse motivo é feito um cadastro prévio e uma reunião de instrução. “Para participar é preciso entrar em contato e é agendada uma reunião de conscientização porque não é um grupo para mandar joinha porque cada vez que eu acionar a Polícia estará a postos. Todos os membros são cadastrados e avaliados para ver se a pessoa pode participar, não basta querer, para que eu gere segurança nos demais e evitar que uma pessoa de má índole participe e tenha informações de segurança para os demais. Fazemos um levantamento prévio para ver se existe algo que contraindique a participação dela no grupo, não havendo nada ela participará”, finaliza.