Alto Vale
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Helena Marquardt/DAV

A Federação Catarinense de Municípios (Fecam) que teve mudança em sua diretoria em janeiro tem sido alvo de polêmicas nos últimos dias. Diversos servidores acusam a atual gestão de estar promovendo um “desmonte” da área técnica para acomodar aliados políticos. Um dos responsáveis pelas mudanças seria o ex-prefeito de Rio do Sul, Jailson Lima da Silva, que de acordo com servidores tem apenas um contrato de consultor em saúde, mas é quem estaria praticamente comandando a entidade no lugar do atual presidente Clenilton Pereira.

Segundo o ex-diretor executivo, Dionei Silva, desde que iniciou o mandato do prefeito de Araquari, Clenilton Pereira, a área técnica vem sendo desmontada. “O presidente já veio através de uma articulação do ex-deputado e ex-prefeito de Rio do Sul, Jailson Lima da Silva. Ele conheceu Jailson em São Paulo, se encantou com as ideias dele e deu carta branca para ele aqui na Fecam”, disse.

Ele comenta que em 2018 Jailson já teria articulado a contratação de um escritório de advocacia para atuar na entidade de forma terceirizada e que quem assinou esse contrato foi a ex-presidente, então prefeita de São Cristóvão do Sul, Sisi Blind, que agora foi nomeada como diretora Executiva da Fecam no lugar de Dionei. “Inicialmente haviam feito um acordo de que eu me manteria diretor para dar sequência ao trabalho, mas fizeram uma reunião por whatsapp e decidiram que criariam um outro cargo e que eu passaria a ser o coordenador geral e nomearam ela diretora. O nosso estatuto não permite a criação de outro cargo e para isso precisa haver uma assembleia de prefeitos, que não houve. Depois criaram mais outro cargo de coordenador institucional que hoje tem o maior salário técnico e que recebe mais 100% de gratificação. Tudo sem nenhuma reunião de forma regimental”.

Na nova diretoria os servidores afirmam que já foram demitidas cinco pessoas e outras três chegaram a ter impressos os ofícios de demissão. Uma das principais cobranças é ainda a rescisão de contrato com coordenador eleito do Colegiado de Desenvolvimento Econômico e Inovação da Fecam, Piter Santana. “Estamos incomodados porque nada do que fizeram passou pelo conselho. Encerraram o contrato com o Piter que trabalhava no Desenvolvimento Econômico que tem uma pauta extremamente positiva e muito elogiada pelos municípios”, comenta.

Piter conta que a contratação de sua consultoria de 20 horas mensais havia sido aprovada em dezembro do ano passado pelo Conselho para a elaboração de Políticas Públicas, sendo base para disponibilização no portal da Fecam com temas como Acesso ao Crédito, Acesso ao Mercado, Desburocratização, Capacitação Empreendedora, visando levar aos gestores públicos a base para que possam ser adotadas pelos municípios, tornando-os promotores do Desenvolvimento Econômico local.

O planejamento de ações para o ano de 2021 já havia sido elaborado e estava sendo cumprido. A primeira reunião foi realizada no dia 28 de janeiro. “No dia 1º de fevereiro recebi o contato informando que a parceria lançada em 28 de janeiro havia sido encerrada. No primeiro contato realizado por e-mail foi informado que o motivo era conforme anexo, porém não foi enviado o anexo. Ao responder, no dia 2 de fevereiro recebi o retorno informando que a parceria não havia sido aprovada pelo conselho e no dia 3 recebi do setor de compras da Fecam uma notificação de rescisão do contrato de consultoria, sem qualquer motivo aparente”, relata.

Dionei completa dizendo ainda que as próprias demissões que teriam sido orquestradas pelo ex-deputado Jailson Lima, foram feitas de forma totalmente irregular já que o estatuto da entidade, aprovado em dezembro de 2020, prevê que a demissão de funcionários passe pela aprovação do Conselho Executivo, hoje composto por oito prefeitos, o que não aconteceu. “Entre os demitidos estavam pessoas de muito tempo de casa, alguns com mais de 10 anos e muita experiência no atendimento aos municípios, saíram sem qualquer explicação da direção, tendo sido informados por um escritório de advocacia terceirizado e quando questionavam só recebiam a resposta de que era uma decisão da diretoria”.

O que dizem os envolvidos?

Procurado pela reportagem o presidente da Fecam, informou através de sua assessoria de imprensa que não irá se manifestar nesse momento. Já o ex-prefeito de Rio do Sul, Jailson Lima da Silva, também foi procurado e disse que quem tem que responder a este tipo de assunto é o presidente da entidade, e que ele estava em viagem e falaria apenas na quarta-feira (10).