Alto Vale, Cidade
Foto: Helena Marquardt

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Diariamente o trânsito faz centenas de vítimas em todas as cidades do Brasil. Como o movimento Maio Amarelo surgiu para chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes no trânsito, a Polícia Rodoviária Federal de Rio do Sul divulgou dados de acidentes na BR-470, entre o km 0, em Navegantes, e o Km 200, no acesso ao município de Otacílio Costa, trecho que corta a região do Alto Vale. O levantamento aponta que somente nos primeiros quatro meses do ano já foram registrados 391 acidentes de trânsito, com quase 500 pessoas feridas e 16 vidas perdidas.

Mesmo sendo um número alto, se comparado ao mesmo período de 2019 e 2020 é possível perceber uma pequena redução nos acidentes. Em 2019, o período registrou 444 acidentes, com 571 feridos e 21 mortos. De janeiro a abril de 2020, houve uma diminuição dos dados. Foram 404 ocorrências, com 475 feridos e 19 óbitos. Os locais com maior incidência de acidentes seriam as travessias urbanas, em Rio do Sul, Pouso Redondo e Apiúna. As serras de Pouso Redondo e Ibirama também registram números significativos.

Para o policial rodoviário federal, Manoel Fernandes Bittencourt, a diferença nos números pode ser observada por alguns fatores específicos em cada um dos anos, desligamento de radares em 2019 e fechamento de atividades em virtude da pandemia, em 2020. Embora 2021 esteja com número inferior, a semelhança com o ano passado é bastante grande, visto que o relatório não contabiliza os dados de todo o mês de abril.

“Em 2020 nós tivemos os meses de março e abril em que o movimento nas rodovias foi bastante impactado em função do fechamento de algumas atividades e isso com certeza impactou. Outro fator em 2019, no número mais alto, pode ter sido por conta de uma ordem do presidente da república, em relação ao desligamento das lombadas e dos radares. Depois a justiça determinou que esses radares teriam que voltar. Em 2020 a gente teve a volta gradativa dos radares, das lombadas eletrônicas, então eu penso que esse é outro fator que influenciou e impactou. No momento em que houve desligamento, nós voltamos a ter acidentes em locais que a gente não tinha mais”, avalia.

Valter Mello mora em Lontras e sentiu na pele a dura estatística de mortes na região. Ele conta que perdeu um sobrinho vítima de acidente há três meses e que a perda ainda dói muito para toda a família. “Ele tinha 26 anos, era muito amado por todos aqui em Lontras e foi mais uma vítima das estradas. Não sabemos de que forma aconteceu porque ele estava sozinho no veículo. Não conseguimos digerir essa situação ainda. Tenho ido visitar meu irmão e minha cunhada todas as semanas para dar força, mas eles estão muito tristes. Todas as perdas são tristes, mas ver uma vida ceifada no trânsito é pior”, comenta.

A maior parte dos acidentes de trânsito, segundo relatórios, é causada pela falta de atenção dos condutores, desrespeito a preferência em cruzamentos, conversões proibidas, ou quando o motorista deixa de manter distância do veículo da frente, ausência de reação, ingestão de bebida alcoólica, mudança de faixa, velocidade incompatível, ultrapassagens indevidas, transitar na contramão e acesso sem observação da presença de outros veículos. Dessas causas a que mais gerou óbitos e pessoas feridas foram: velocidade (6); seguido pela condução na pista contrária (4); e reação tardia do motorista (4).

De acordo com Manoel, uma boa parte dos acidentes poderiam ser evitados com melhoramento no comportamento do condutor e obras de melhorias em trechos que ocorrem acidentes com maior frequência. “Eu penso que se quisermos diminuir mais os acidentes da BR-470, é preciso analisar local por local onde os acidentes ocorrem e aí realizar intervenções. Sejam melhorias em cruzamentos, obras que melhorem as condições em certas curvas, por exemplo, e que possam evitar acidentes. Temos que trabalhar também a educação de trânsito de forma massiva, já que quando olhamos para as causas dos acidentes a gente percebe que a maioria é por comportamento errado das pessoas, temos que melhorar a consciência”, ressalta.

Ele destaca ainda que a Polícia Rodoviária Federal trabalha nas fiscalizações de velocidade e embriaguez ao volante de forma intensa, além de fazer indicações de melhorias ao Departamento Nacional de Infraestrutura e de Transportes (Dnit). “A PRF faz esse trabalho de indicação de trechos com mais acidentes ao Dnit, pedindo melhorias. Claro que nem sempre eles conseguem atender por conta da falta de recursos. Fazemos constantes fiscalizações na questão de embriaguez ao volante, a PRF trabalha também com o radar portátil para tentar coibir a questão de velocidade, trabalhar a questão de ultrapassagens indevidas, onde ocorrem muitos acidentes graves. A gente não consegue estar em todos os locais e não adianta dizer que vamos conseguir fiscalizar em todos os pontos, já que nosso efetivo é reduzido diante da demanda, mas fazemos aquilo que é possível dentro das nossas limitações”, acrescenta.