Alto Vale
Foto: Alan Garcia/DAV

Rafaela Correa/DAV

A indústria do cimento registrou um início de ano com desempenho favorável. As vendas do insumo no Brasil em janeiro totalizaram pouco mais de cinco milhões de toneladas, um crescimento de 10,5% em relação ao mesmo mês de 2020, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Na região sul do país, os dados preliminares mostram que o crescimento foi de quase 3%, mas empresários estão cautelosos em relação aos dados divulgados e projeções de altas.

André Pompeo é diretor de vendas no Brasil da empresa Votorantim Cimentos, que possui inclusive uma empresa na região do Alto Vale, em Vidal Ramos. Ele afirma que embora os números divulgados sejam positivos, é preciso olhar com cuidado para tais dados, já que vários fatores influenciam o mercado no momento. “O comportamento do mercado ainda reflete um momento atípico que vivemos com a pandemia da Covid-19, que ainda não terminou. A demanda por cimento no segundo semestre do ano passado chegou aos níveis de 2014, mas estamos cautelosos em relação a este ano. O aumento de 10,1% em janeiro deste ano reflete um janeiro de 2020 de baixas vendas. Continuamos trabalhando com a projeção do setor de alta de 1% a 2% neste ano, conforme o SNIC”, afirma.

De acordo com o SNIC, a venda de cimento por dia útil no período foi de 223,6 mil toneladas, aumento de 7,3% comparado ao mês anterior e de 17,5% em relação a janeiro de 2020. Esse indicador que considera o número de dias trabalhados tem forte influência no consumo de cimento.

Ainda de acordo com o Sindicato, os principais indutores do crescimento da atividade em janeiro foram as condições climáticas favoráveis de maneira geral, a manutenção das obras imobiliárias e as últimas liberações do auxílio emergencial apoiando a autoconstrução. Ademais, a baixa performance das vendas em janeiro de 2020, em razão das fortes chuvas, resultou numa base fraca sobre a qual o desempenho deste ano acabou favorecido.
A região Norte foi a única que registrou queda de vendas de cimento, -14%, em razão do agravamento da crise sanitária, que ensejou a restrição de circulação e a consequente desaceleração das atividades econômicas, particularmente da construção civil.

Na contramão dos números das vendas de cimento de janeiro, todos os indicadores de confiança apontam uma piora nesse início do ano. De acordo com o estudo da Fundação Getúlio Vargas, os índices de confiança do consumidor que sem o suporte dos benefícios emergenciais continuam postergando consumo e dependendo da recuperação do mercado de trabalho, da construção e dos empresários mantiveram a trajetória de queda, justificada pela elevada incerteza com relação à evolução da pandemia e, consequentemente, da economia brasileira.

Vale destacar também dois pontos positivos: o início da vacinação e as eleições que definiram os novos presidentes da Câmara e do Senado e que apoiados pelo governo devem estabelecer uma pauta convergente entre o Legislativo e o Executivo, como já manifestado pelos líderes dos poderes.
“A expectativa é de que o baixo desempenho do primeiro quadrimestre do ano passado seja uma referência sobre o qual tenhamos resultados mais vigorosos até abril deste ano. O grande desafio do setor do cimento em 2021 será superar a performance que tivemos a partir de maio de 2020, responsável em nos trazer de volta ao patamar de comercialização de 60 milhões de toneladas, equivalente as vendas anualizadas em meados de 2016. Mas não há de se falar em desenvolvimento sem um programa vigoroso de vacinação e o avanço das reformas, com destaque para a tributária, administrativa e PEC emergencial.”, esclarece o presidente do SNIC, Paulo Camillo Penna.

Procura em materiais de construção

Carlos Eduardo Franzen é supervisor de vendas de um material de construção em Rio do Sul, ele afirma que o ano de 2020 foi bastante positivo e que de modo geral a procura por produtos utilizados na construção civil aumentou bastante. “O ramo da construção civil aumentou bastante e o cimento não foi diferente, cresceu a procura. Alguns itens como matéria prima do plástico ficou em falta por um bom tempo”, justifica.

De acordo com um empresário de Ituporanga que não quis se identificar, a loja não registrou um aumento tão significativo nas vendas do cimento, segundo ele vários itens foram muito procurados e alguns materiais inclusive ficaram em falta. “Aumentou um pouco, mas não foi um volume tão mais alto, é meio padrão”, comenta.