Cidade, Segurança

Medo e perseguição. Esse é o clima na Escola Navarro Lins, no bairro Barra do Trombudo, em Rio do Sul. Desde o início do ano os professores têm sido alvo de agressões verbais, violência e ameaças de dois adolescentes de 13 e 14 anos que cursam o 7º ano do Ensino Fundamental. A situação chegou ao limite nos últimos dias e os professores tiveram que acionar a polícia.

O professor Jardel Gores, que leciona História na Navarro Lins, conta os últimos episódios envolvendo os jovens. “Foram três [boletins de ocorrência] apenas na semana passada contra um aluno e ontem (terça-feira, 18) foi contra mais de um aluno. Essas agressões verbais, essas ameaças, jogar pedras nos professores, trancar outro professor na sala, chutar porta, já vem acontecendo há algum tempo e depois de várias conversas que foram registradas na escola, depois de chamar os pais, depois de entrar em contato com os órgãos que devem nos auxiliar como o Cras e o Conselho Tutelar a única solução que a gente viu, apesar de resistir um pouco, foi chamar a polícia”, desabafou o professor.

Na terça-feira, a Polícia Militar foi até a instituição quando um dos adolescentes ameaçou o professor de morte, proferindo palavras violentas. “As palavras dos alunos, que eu relatei no Boletim de Ocorrência, são ‘Eu vou te matar, eu vou acabar contigo’. Eles dizem que vão chamar a gangue e não sei o que eles entendem por gangue, mas eles dizem que vão chamar alguém para acabar com a gente. Então gera esse medo, a gente fica um pouco receoso de chegar e sair da escola”, ressaltou Gores.

Além da apreensão vivida pelos professores, pais e alunos também estão em uma situação de medo. Há relatos de pais que querem tirar os filhos da instituição e alunos que chegam a faltar nas aulas por conta da apreensão que é vivida na unidade de ensino. Os profissionais da escola ainda ressaltaram que a maioria, 90% dos alunos, são tranquilos, mas que a escola e a comunidade têm sido afetada pela situação de violência. “Esses meninos de 13 e 14 anos não ameaçam só a nós, mas os pais estão preocupados com os seus filhos, então ameaça toda uma comunidade”, comentou Gores.

A Gerência Regional de Educação informou que está acompanhando o caso desde o início. “Nós ficamos a par de toda a situação e colocamos para diretora que ela deveria conversar com os alunos, registrar em ata, encaminhar para o Cras (Centro de Referência de Assistência Social), para o Conselho Tutelar, conversando com a família e os professores também conversando com os alunos, mas essas conversas não deram resultado e a situação foi piorando. Nas conversas os alunos diziam que iam melhorar a postura. Foram inúmeras conversas, inúmeros pedidos”, explicou a Gerente Regional de Educação, Cátia Brasil.

Ela ainda informou que na terça-feira esteve na escola quando a Polícia Militar foi acionada. “Nós fomos até a escola quando a polícia estava lá. Eu e mais uma equipe aqui da Gered, junto com a Polícia Militar e com a gerencia da escola conversamos muito seriamente com eles, apesar da gente saber que ali precisa de algo muito mais intenso por parte do Cras e do Conselho Tutelar”, disse.

A gerente afirmou que os alunos não serão expulsos da escola e que a situação pede muito cuidado que “Se trata de menores e as famílias ainda respondem por essas questões. Se trata de crianças”. A gerente vai se reunir com os responsáveis dos alunos para tentar prevenir novos casos de violência.

Ela assumiu que a situação é grave e que os professores estão apreensivos. “Os professores estão acuados, não estão conseguindo dar aula naquela turma. Os pais, a comunidade, também já vieram nos procurar na Gerência para falar sobre esses casos, mas o processo é lento porque envolve menores e é uma situação complicada. Não é uma questão apenas de punir, as coisas tem que ser resolvida de uma forma calma”, ressaltou.

Suellen Venturini