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Em assembleia organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Educação Pública Estadual de Santa Catarina (Sinte/SC) , a categoria decidiu pela paralisação das aulas presenciais e continuidade apenas das aulas de forma virtual. A decisão foi por conta do crescente número de casos positivos de Covid-19 na comunidade escolar da rede pública estadual.

Em nota, a Sinte afirmou que as escolas estaduais não possuem estrutura para garantir as definições dos Planos de Contingências.
“Santa Catarina vive um colapso na saúde. Hospitais lotados, sem vagas nas UTIs e alguns prefeitos começam a tomar medidas mais drásticas de lockdown para tentar conter o crescente número de infectados pela Covid-19. Paralelo a este cenário desesperador, acompanhamos o governador Moisés, seguindo a política negacionista de Bolsonaro, expondo os trabalhadores da educação, estudantes e familiares ao risco de contrair o coronavírus com a manutenção das aulas presenciais”, declarou.

O Sindicato alegou ainda que as escolas estaduais não possuem estrutura para garantir as definições dos Planos de Contingências e que denúncias de falta de segurança sanitária estão sendo registradas em todo o estado, assim como aulas estão sendo suspensas com casos suspeitos entre estudantes e profissionais, bem como casos confirmados e profissionais até hospitalizados.
“É urgente que o Estado tome uma medida em defesa da vida da população. Por isso, os trabalhadores da educação não retornarão as escolas e continuarão as aulas de forma online”, diz o texto.

A mobilização cobra ainda que o Governo do Estado zele pela vida da população e interrompa imediatamente as aulas presenciais, além de garantir a vacinação de todos os trabalhadores da educação, bem como a continuidade da vacinação da população idosa e dos grupos de risco.
As aulas online começaram já nesta terça (09) com aplicativos alternativos, até que Moisés libere os aplicativos oficiais do Governo do Estado.
“Não vamos aceitar desrespeito com as nossas vidas”, finaliza o documento.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação confirmou já ter sido oficialmente notificada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina da deflagração da greve sanitária, mas a considera ilegal e que, caso necessário, irá acionar a Justiça e adotar as medidas cabíveis.
“A Secretaria de Estado da Educação (SED) foi oficialmente notificada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte) da deflagração da “greve sanitária” e a considera ilegal por inúmeros motivos, em especial por não respeitar os requisitos descritos na Lei 7.783/89. A greve só é considerada legítima quando temporária (art. 2o, da Lei no 7.783/1989), mas o sindicato não estabelece uma data e exige a vacinação de todos os membros da categoria profissional, algo que não é possível antever porque ainda não há imunizantes disponíveis para compra imediata no país. Além de descumprir os requisitos legais, a “greve sanitária” desconsidera toda a análise técnica que baseou o retorno das atividades presenciais, após mais de um ano de paralisação”, disse.

Além disso, a SED afirma que a decisão é contrária ao cumprimento da Lei 18.032/2020, que considera as atividades educacionais, aulas presenciais nas unidades das redes pública e privada de ensino, como serviço essencial em Santa Catarina. A Secretaria declarou também que entende que esta é uma decisão que não será aceita pela sociedade, que espera ter a opção de levar os filhos para a escola de forma segura, conforme tem sido colocado em prática desde fevereiro.

Em seu posicionamento o Estado ressaltou ainda que a ausência ao trabalho para participar de paralisação constitui falta injustificada do servidor, cujas concepções estão fundamentadas na Lei no 6.844/1986, o Estatuto do Magistério Público do Estado de Santa Catarina e que não há dispositivo que garanta a reposição como meio de compensar descontos salariais decorrentes de dia não trabalhado.

A SED reforçou que as escolas não estão imunes à Covid-19, mas que são ambientes seguros para o prosseguimento das aulas presenciais por conta dos protocolos sanitários adotados com o Plano de Contingência para a Educação, que teria sido construído com participação do próprio sindicato.
Para a Secretaria, a deflagração da greve não representa a vontade da maioria dos trabalhadores de educação da rede estadual e a SED reforça que irá manter as aulas nos três modelos, adotados de forma democrática para contemplar todos os alunos, preservando as pessoas do grupo de risco, e para manter o interesse público previsto na legislação. Caso necessário, a SED está se mobilizando para acionar a Justiça e adotar as medidas cabíveis”.