Economia
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

A pandemia do coronavírus afetou diretamente o setor de eventos e profissionais da área precisaram se reinventar para obter renda e garantir o sustento da família. Foi o caso do professor de dança, Djalma Schafer, que também trabalhava como promotor de eventos e sonorização e que após ver mais de 30 eventos cancelados decidiu trabalhar por dia, na agricultura e até na construção civil.

Ele trabalha como professor de dança e coreógrafo há 14 anos e possui uma empresa de eventos há três. Em poucos meses, o que antes garantia o sustento da família perdeu força e o empresário relata que precisou inclusive do Auxílio Emergencial. “Eu Lembro que quando fui buscar o meu primeiro Auxílio Emergencial pedi desculpa para a moça. Eu disse: ‘Estou com vergonha, mas eu vim buscar meu auxílio’. A gente não foi 30, 40 ou 50% afetado, a gente foi 100% afetado. Todas as atividades que a minha empresa vinha fazendo foram canceladas, os projetos culturais nas prefeituras, ficaram suspensos e mais de 18 casamentos foram cancelados, em média seis festas de debutantes, locações de som para eventos e formaturas que estavam agendadas. Ao todo foram aproximadamente 35 eventos cancelados e na parte financeira fui muito afetado”, revela.

No início da pandemia, em março, o professor que atua em todo o Alto Vale pensou que o vírus logo acabaria e que poderia voltar ao trabalho algum tempo depois, mas no mês seguinte os eventos que já estavam marcados passaram a ser cancelados e para garantir o sustento da família precisou encontrar um outra fonte de renda temporariamente. “Lembro que no dia 7 de março, a gente tinha três locações em eventos e no final de semana começaram os comentários sobre a pandemia e aí já se trancou tudo na semana seguinte. Como a gente trabalha com isso eu decidi focar na família, a gente não tem muito tempo de estar juntos em casa, com a esposa, com o filho e então fiquei até feliz por poder curtir com eles, só que acabou o mês de março e continuou. Como entrou o mês de abril e os eventos começaram a ser cancelados comecei a me preocupar”, conta.

Os pais de Djalma são agricultores e ele diz que embora trabalhe com um ramo diferente, também aprendeu a trabalhar na lavoura. “Fui criado por uma família de agricultores e não tenho medo de trabalho. Tinha uns serviços por dia e eu comecei a trabalhar na agricultura, ajudei meu irmão com sistema de irrigação, ajudei a finalizar a safra de fumo do meu pai, depois veio maio e junho e começou a plantio de cebola e continuei trabalhando por dia e cada vez mais a pandemia foi se agravando”, lembra.

Quando os casos começaram a crescer, em julho e agosto, muitas pessoas ficaram preocupadas em realizar tarefas rotineiras, já que havia um grande risco de contaminação. “Se sai pode pegar o vírus, aí a gente está em casa e tem filho, pode ser perigoso. Enfim, as contas precisavam ser pagas, eu tive que me reinventar e parti para a mão de obra. Trabalhei também na construção civil, algo que eu nunca tinha feito, trabalhava com medo pela altura, mas precisava”, comenta.

Além dos eventos, ele também trabalha como professor de dança e coreógrafo. Algumas dessas atividades tiveram retomada autorizada, mas ainda assim, Djalma diz que precisa continuar no trabalho braçal para manter as contas em dia. “Em setembro voltaram as aulas de atividades físicas à noite, mas não gira o suficiente para me manter. Ainda preciso continuar”, afirma.

Apesar de ter sido muito prejudicado, ele tenta olhar esse período com otimismo e fé, destacando o quanto aprendeu. “Eu vejo com otimismo porque a gente aprendeu muito com isso também, se Deus permitiu ele sabe o que está fazendo então é daí que a gente aprende, nas dificuldades”, completa.

Eventos autorizados

De acordo com a portaria da Secretaria de Estado de Saúde, de 18 de setembro, está autorizada a retomada gradual e monitorada dos eventos sociais, considerando a Avaliação do Risco Potencial para Covid-19. Em eventos sociais, enquadram-se aqueles que são restritos à convidados sem cobrança de ingressos, como casamentos, batizados, aniversários, jantares, formaturas, bodas, confraternizações e festas infantis. No entanto, diversas regras devem ser seguidas e há limite de ocupação. Nas regiões de risco potencial gravíssimo e grave, continuam proibidos os eventos, já nas áreas de risco alto e moderado, estão autorizados, desde que respeite m a capacidade de ocupação de 40% e 60%, respectivamente. O Alto Vale do Itajaí encontra-se no momento, representado pela cor laranja que identifica risco grave de transmissão.

Questionado sobre uma possível retomada, Djalma afirma que não tem expectativa para voltar esse ano. “A minha expectativa para voltar esse ano é zero, porque aqui na região o pessoal gosta de fazer festa sem restrição, gosta de dançar com a família, abraçar, ficar perto. Então, penso que algumas coisas até podem voltar, mas casamentos maiores, por exemplo, não. O que pode ser que volte sejam as noites natalinas, das prefeituras no fim do ano”, finaliza.