Alto Vale
Povo Xokleng Laklãnõ - Arquivo Público Histórico de Rio do Sul Wera von Buettner Gemballa

 

Pensando em contribuir com a propagação do conhecimento sobre a cultura indígena no Alto Vale, os historiadores Rodrigo Wartha e Catia Dagnoni, irão promover ao longo deste ano, 10 palestras em escolas da região. O projeto intitulado “O índio ontem e hoje: subsídios para a implantação da lei 11.645/2008 através de fotografia e imagens”, foi contemplado pelo Prêmio Elisabete Anderle de incentivo à cultura, na categoria Artes Populares.

 

Conforme Wartha as palestras irão abordar temas referentes a convivência do índio em um ambiente contemporâneo.

“Atualmente temos mais de dois mil índios que interagem com a comunidade, frequentando comércios, escolas, unidades de saúde e demais centros de sociabilidade, sobretudo nas cidades entorno da Terra Indígena Laklãnõ. Deste modo, a compreensão da história regional e forma de vida Xokleng Laklãnõ se faz fundamental”, completou o historiador.

 

Ainda de acordo com Wartha, os alunos terão a oportunidade de conhecer a trajetória do povo indígena que habita a região do Alto Vale.

“Uma vez que diversos temas como a demarcação da terra indígena, a cultura e as demandas levantadas em função da Barragem Norte, que foi construída em território indígena, são diariamente debatidos calorosamente na região. Neste sentido, é essencial conhecer esta trajetória”, afirma.

 

Para o historiadora Cátia Dagnoni, a escola é o ambiente propício para se debater esse tipo de temática.

“A escola é ponto de convergência de vários sujeitos vindos dos mais diversos grupos sociais, sendo assim, a escola é espaço de diálogo e das diferenças onde a presença da diferença e do diferente se faz presente no cotidiano”, pontuou.

 

Cátia ainda destaca que as cidades a serem beneficiadas com as palestras são municípios onde o movimento de colonização realizado por imigrantes europeus no final do século XIX e início do século XX se configurou em uma realidade de violentas disputas por terras com os indígenas.

“Esta realidade se materializou em histórias que se perpetuam através da tradição oral, dentro das próprias famílias de imigrantes, isto por gerações, criando assim um estereótipo de indígena que muitas vezes não condiz com o real, mas que se fixa no imaginário popular até os dias de hoje”, finalizou.

 

Xokleng Laklãnõ

 

O povo Xokleng Laklãnõ historicamente viveu de forma livre por todo o Sul do Brasil, mas com a chegada das frentes de colonização no século XIX passou a ser reprimido no Vale do Itajaí, e com o avanço destas, em 1914 foi alocado na hoje Terra Indígena Laklãnõ, situada em quatro municípios catarinenses: José Boiteux, Vitor Meireles, Doutor Pedrinho e Itaiópolis.

 

Jorge Matias