Alto Vale
Foto: Divulgação

Cláudia Pletsch/DAV

Um projeto que abrange os 28 municípios da região e que já envolveu cerca de 580 propriedades pretende até o final deste ano completar 320 hectares de área reflorestada. O Restaura Alto Vale é uma iniciativa da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) de Atalanta, e já plantou mudas nativas em 231 hectares. Até o final do ano mais 80 devem ser recuperadas para atingir a meta.

Nessa semana o município de Vidal Ramos recebeu a equipe da Apremavi para iniciar o plantio de 9.510 mudas no Parque Municipal Natural Chapéu das Águas. A secretária de Turismo e Meio Ambiente do município, Pricila Buss, explica que a prefeitura já havia feito a compra desse terreno justamente para fazer o reflorestamento. “Uma das razões é porque a gente tem essas propriedades que foram adquiridas justamente para que a gente fizesse a unidade de conservação, é uma área aos arredores do nosso parque municipal. A preservação da nossa água é outro motivo, pois temos a bica d’agua que não é no terreno, mas que o reflorestamento vai influenciar positivamente”, justifica.

As árvores são plantadas em torno de nascentes e nas margens dos rios, além das áreas de preservação permanentes. Nessa semana, uma propriedade do bairro Albertina de Rio do Sul também receberá a equipe da Apremavi para fazer o plantio de 1400 mudas. Na região, o Parque Municipal Natural da Mata Atlântica em Atalanta e o Parque municipal João Maria também receberam 1.92 e 2.96 hectares plantados.

A técnica ambiental da Apremavi, Maíra Ratuchinski, explica que hoje os 80 hectares restantes estão disponíveis e que a Associação está aceitando inscrições de propriedades de prefeituras, empresas ou pessoas físicas. “O projeto não tem custo nenhum ao proprietário, a Apremavi presta toda a orientação técnica, doa as mudas de árvores nativas e parte do arame quando for necessário isolar parte do plantio. Também realizamos monitoramento da área e disponibilizamos o projeto técnico ao proprietário. Em contrapartida o proprietário precisa fazer a construção da cerca na área quando necessário, realizar o plantio das mudas e depois a manutenção desse plantio. Para esse proprietário participar do projeto ele precisa ter o Cadastro Ambiental Rural (CAR), documentação escritura da propriedade e a área onde for fazer o plantio não pode ser objeto de licenciamento ambiental, não pode ter multa na área”, explica.

Para fazer o cadastro basta entrar em contato pelo número (47) 9 8813-8556 ou diretamente com uma unidade da Epagri dos municípios.

O projeto

O Projeto Restaura Alto Vale, que será executado até 2022, tem como objetivo restaurar áreas degradadas da Mata Atlântica, contribuindo com a adequação de propriedades rurais e a conservação de mananciais hídricos e da biodiversidade no Alto Vale do Itajaí e no Planalto Norte de Santa Catarina.

Tem o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tendo sido aprovado no edital BNDES Restauração Ecológica – Foco 01/2015. O edital tem como objetivo propiciar o aumento da cobertura vegetal com espécies nativas, além de fortalecer a estrutura técnica e de gestão da cadeia produtiva do setor de Restauração Ecológica no Brasil. O edital recebeu mais de 70 propostas, sendo aprovados doze projetos, entre eles o da Apremavi.

São parceiros do projeto a Amavi, a Unidavi, a Epagri, Prefeitura Municipal de Atalanta e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), assim como vários outros atores locais.

O público beneficiário são agricultores familiares, que tenham propriedades com tamanho de até quatro módulos fiscais. A região prioritária é o Alto Vale do Itajaí, mas existe a possibilidade de atuação também no Médio Vale do Itajaí e Planalto Norte de Santa Catarina. Para estarem aptas a receber apoio do projeto, as propriedades deverão estar cadastradas no Cadastro Ambiental Rural, o CAR.
O Restaura Alto Vale é uma oportunidade para o agricultor familiar recuperar as áreas de preservação permanente de sua propriedade e adequar-se à legislação ambiental.

A Apremavi dará suporte técnico e fará a doação de mudas de árvores nativas. Quando necessário, poderão ser fornecidos arames para construção de cercas. Em contrapartida o agricultor deverá fornecer os demais materiais necessários, além da mão-de obra para a construção das cercas, o plantio e manutenção das áreas em restauração.