Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Perder um ente querido causa dor e pode ser um momento difícil de superar. Para ajudar as pessoas a enfrentarem o luto, um psicólogo de Ituporanga criou um projeto voluntário que consiste em encontros em grupo para proporcionar paz e satisfação de vida a quem perdeu alguém especial.

Marcelo Laurentino trabalhou durante certo período com familiares e amigos de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital da região e como faz doutorado e pesquisa o luto materno conta que surgiu a ideia de fazer um trabalho com este público. “Pensei em formar um grupo porque a abordagem de grupo é muito funcional. Não sabia como fazer isso na cidade e aí surgiram parceiros, a Débora Barbosa que conheci por conta do trabalho de assistente social e a Sueli. As duas toparam e eu conversei com o pessoal da Escola Aleixo Dellagiustina e eles cederam um espaço para a gente”, explica.

Após a cessão do espaço por parte do colégio, os encontros começaram e já foram realizados sete com participação de até 18 pessoas. A previsão é fazer 15 reuniões e depois disso um novo grupo poderá ser formado.

“A duração das conversas é de aproximadamente 1h30. Começamos às 19h30 e vai até 21h30. Nós gostamos de ouvir todos os participantes para saber como está sendo o seu luto, de que forma está enfrentando, o que está sentindo, sintomas, pensamentos, como é a procura e todas as etapas. Cada um fala e o resultado depois de alguns encontros são vistos em depoimentos. Eles dizem: ‘Eu achei que eu estava ficando louca, mas eu vi que os outros também sentem o mesmo’. Ali tem mães que perderam filhos, filhos que perderam pais, esposa que perdeu cônjuge e são vários tipos de luto”, pontuou.

Para participar basta entrar em contato através das redes sociais ou ir até o colégio que fica no bairro Santo Antônio. O objetivo dos encontros gratuitos é tornar o luto mais saudável.

“A ideia é proporcionar um pouco de paz, satisfação com a vida. Não é proporcionar felicidade nesse momento, porque ninguém pode fazer um desinvestimento emocional em uma pessoa que amou e perdeu. Não tem como retirar isso. A intenção é fazer a pessoa entender que é muito mais importante a vida vivida daquela pessoa do que o evento da morte. Esse entendimento só vem se esse luto for bem vivenciado, se esse luto for saudável e não um luto complexo ou patológico, sobretudo se a morte do indivíduo foi por meio de um trauma”, completa.