Alto Vale
Foto: Arquivo/DAV

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

A queda na cobertura vacinal de crianças menores de um ano preocupa na região do Alto Vale. Dados fornecidos pela Gerência Regional de Saúde a pedido do Jornal Diário do Alto Vale apontam que das nove vacinas obrigatórias, sem contar a da Febre Amarela que foi incluída no calendário somente em 2019, a maioria vem tendo queda nos índices de imunização nos últimos quatro anos e muitas não estão atingindo a meta de 95% recomendada pelo Ministério da Saúde.

É o caso da BCG, indicada para prevenir a tuberculose. Nos municípios do Alto Vale a imunização foi de 102,06% do público alvo em 2017. Em 2018 o número se manteve em 102,13% e em 2019 caiu para 98,19. Já neste ano, por enquanto o índice é de apenas 77,07%, um número bem abaixo do esperado para esta época.

Os números da imunização com a vacina tetra viral também serve de alerta. Ela protege contra caxumba, rubéola, varicela e sarampo, doença que estava erradica há mais de 10 anos, mas que voltou a ter casos no estado. Em 2017 o percentual de vacinação da tetra viral era de 78,13%, passou para 82,61 em 2018, em 2019 para 93,9 e caiu para apenas 75,98% neste ano.

A enfermeira Josiane Verdi Schaade, responsável pela imunização na Gerencia Regional de Saúde, alerta que a baixa cobertura vacinal é um sinal de alerta. “Nessa época a cobertura vacinal já está próxima a 90%, mas esse ano tivemos a complicação de mudança de sistema que ocasionou a perda de algumas informações. Nesse momento estamos tentando descobrir se houve falha na migração ou se realmente é a baixa procura, que é o que estamos contatando”, esclarece.

Ela afirma ainda que em anos anteriores havia a ajuda das escolas para cobrar a obrigatoriedade das vacinas, mas como em 2020 as aulas estão suspensas há vários meses, esse pode ser outro fator que impacta na queda da cobertura. “Com base nos dados estamos conversando município por município para tentar entender o que está acontecendo e o que pode ser feito. Também teremos uma nova campanha de vacinação para crianças em outubro e esperamos que esse seja o momento para recuperar a cobertura nas crianças que estão com vacinas atrasadas”, disse.

Apesar de ser um dos maiores municípios do Alto Vale, de acordo com dados da Gerência de Saúde, neste ano Ibirama é um dos municípios com a menor cobertura em todas as vacinas obrigatórias. O percentual para BCG está em 17,9%, Hepatite A em 21,6%, Meningocócica 16,05%, Pentavalente 20,37%, Pneumocóccica 13,58%, Poliomielite 19,75%, Rotavírus Humano 14,2%, Tetra Viral com 53,09% e Tríplice Viral com 22,22%. A secretária de Saúde Izabel Petersen, no entanto contesta os dados. “Vimos que esses dados não fecham com o que temos aqui. Sabemos que este ano a cobertura vai ficar mais baixa, mas esses dados não correspondem aos que temos”, afirmou.

Apesar de contestar os números, a secretária reconhece a falta de conscientização e resistência da população em relação à vacinação. “Temos um problema bem sério. Fazemos campanhas, vamos no rádio, colocamos carros de som, mas a população não procura as salas de vacina por mais que a gente faça. Tem pessoas que chegam a assinar o documento que não vão vacinas os filhos.”

Medo dos pais para procurar unidades de saúde

Em virtude da pandemia, as autoridades de saúde acreditam ainda que muitos pais estejam com medo de procurar as unidades de saúde, o que segundo Josiane, é um erro já que as vacinas justamente protegem contra as doenças e dão ainda mais segurança. “Já vimos isso pela campanha contra a influenza onde as crianças tiveram uma cobertura muito baixa porque em virtude da Covid os pais não estão levando os filhos, mas temos que deixar o alerta que vacina é proteção. A criança tem que estar imunizada para depois não estar com uma outra comorbidade, uma baixa imunidade e ficando cada vez mais exposta ao risco da Covid”, avalia.