Alto Vale
Foto: Gilmar de Souza

Cláudia Pletsch/DAV

Depois de oito meses, o radar meteorológico de Lontras voltou a funcionar no dia 1º de fevereiro. O equipamento que é capaz de prever com algumas horas de antecedência o risco de granizo, chuva forte, vendaval e outras situações adversas tinha apresentado problemas no mês de junho do ano passado, e havia sido desativado de acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina (DCSC) de forma preventiva depois que uma peça foi danificada. Agora o funcionamento do radar está sendo assistido por uma empresa especializada.

De acordo com o chefe da DCSC, Aldo Baptista Neto, a peça chegou em Lontras no dia 1º de janeiro quando uma equipe especializada de uma empresa que presta serviços mensais para a Secretaria começou a montagem. “Entre junho e julho do ano passado foi reconhecido que o problema que teria causado a quebra daquela peça poderia estar ocorrendo novamente aí o radar foi parado entre julho e agosto pois a gente não tinha ideia do que era o problema e aí foi pedido o laudo para tentar se descobrir o que estava acontecendo, esse laudo foi realizado e descobriu-se que ele tinha um desgaste prematuro numa peça, numa grande engrenagem que é uma base por onde ele gira. Se começou então um processo de importação, essa peça veio dos Estados Unidos bem no auge da pandemia então isso nos atrapalhou severamente no processo de trazer a peça e consequentemente no processo de retomada de funcionamento”, explicou.

Ainda de acordo com Neto, agora o equipamento passou por manutenção e está sendo assistido por especialistas, para que se constate o pleno funcionamento. “Eu fiz uma solicitação que só colocassem ele para trabalhar depois de uma vistoria muito mais detalhada, para que a gente tivesse certeza que aquela peça trocada era responsável pela quebra no início do ano. Então o pessoal fez a manutenção, calibragem e todo um processo e no dia 1º ele começou a funcionar”, completa.

O chefe da DCSC afirmou ainda que muitas dúvidas surgiram após o desastre que aconteceu em Presidente Getúlio, Rio do Sul e Ibirama no mês de dezembro, e ressaltou que esclarecer a estratégia de uso do radar pode fazer com que a população entenda que as cidades não ficaram desassistidas enquanto o equipamento esteve inoperante. “As cidades não ficaram desassistidas pela falta do radar. Nós temos três radares e nós temos uma estratégia de segurança para quando eles entram em manutenção. Nós utilizamos o radar do monitoramento aeronáutico que existe lá em Urubici e mais um concentrador de raios que é uma aquisição de uma empresa do Paraná, então as imagens do radar de Urubici e mais esse concentrador de raios que mostra em tempo real onde os raios estão caindo. Com isso se tem ideia de tempestades, faz parte das estratégias de segurança que passam a compor a estratégia de monitoramento, pois não é só o radar, nós temos o satélite que a Defesa Civil opera com licença, o maior satélite em órbita que existe, temos a imagem do radar, dados dos equipamentos de solo e equipes de meteorologia que trabalham com a parte de modelos matemáticos que rodam por trás desses equipamentos”, avalia.

Neto afirma que em todo o momento o satélite, o Radar do Morro da Igreja localizado no município de Urubici e que é operado pela Aeronáutica, equipamentos de solo, equipes de meteorologia e modelos matemáticos possibilitaram que o profissional da Defesa Civil redigisse as informações meteorológicas. “Uma coisa importante que estou percebendo é que as pessoas supervalorizaram o radar, como se a ausência dele fosse um absurdo de se tolerar e na verdade a gente tem um plano B e mais um equipamento na rede e esse conjunto é o que caracteriza a estratégia de monitoramento da Defesa Civil”, finaliza.

O radar

O radar de Lontras foi inaugurado em 2014 e custou mais de R$ 10 milhões, ele é responsável pelo monitoramento de todo o Alto Vale do Itajaí com capacidade de abranger de 200 até 400 quilômetros. A tecnologia oferece uma margem de tempo que pode variar de 30 minutos a três horas de antecedência.