Alto Vale, Saúde
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Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

O último mês do ano pede da comunidade um olhar mais sensível para uma doença grave que mata milhares de pessoas no Brasil e no mundo. A Aids é antiga, mas continua fazendo vítimas, e é para conscientizar sobre o vírus sexualmente transmissível que dezembro tem reforço nas campanhas de prevenção em todo o país. No Alto Vale não é diferente, somente nesse ano foram registrados de janeiro a novembro 71 novos casos.

A Aids é causada pelo vírus HIV que interfere na capacidade do organismo de combater infecções. Os sintomas mais comuns da doença em estágio inicial são similares a uma gripe, e incluem febre, dor de garganta e fadiga. Em estágio avançado os sintomas incluem perda de peso, febre ou sudorese noturna, fadiga e infecções recorrentes. A Aids não tem cura, mas a descoberta precoce e uma adesão estrita aos regimes antirretrovirais (ARVs) pode retardar significativamente o progresso da doença, bem como prevenir infecções secundárias e complicações.

De acordo com a enfermeira do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Rio do Sul, Caroline de Liz Ribeiro de Sá, os 71 novos casos registrados nesse ano formaram um perfil caracterizado pelo sexo masculino, a maioria de idades entre 20 a 49 anos. Caroline explica que esse perfil resulta das características da maioria dos testados positivos. Além disso ela ressalta que nesse ano durante o período de isolamento a procura pelos testes caiu, mas quando a população saiu do isolamento a procura aumentou muito acima dos anos anteriores. “No ano passado de janeiro a dezembro tivemos 94 casos no Alto Vale e nesse ano de janeiro a novembro foram 71. Em relação a outros anos tem caído, em 2017 por exemplo chegamos a ter 174 novos casos, mas isso não significa que as pessoas devem se descuidar”, avalia.

E a prevenção é o melhor cuidado. A enfermeira ressalta que o preservativo ainda é o meio mais confiável para prevenir a doença. Ela lembra que além de ser sexualmente transmissível a Aids pode ser transmitida pelo compartilhamento de agulhas e objetos contaminados com sangue. Caroline explica ainda que descobrir a doença de forma precoce pode ajudar muito no combate aos sintomas e que qualquer pessoa pode fazer o teste de forma gratuita nas Unidades de Saúde. “Todos os municípios têm testes rápidos então cada paciente pode procurar uma Unidade de Saúde do município para rastrear a doença. O resultado sai em torno de 15 a 20 minutos e de forma gratuita, então basta ter interesse, não precisa agendar nem ter pedido médico”, explica.

O teste pode ser feito anualmente de forma preventiva e Caroline explica que no caso de suspeita deve ser feito o mais rápido possível. “Quando o paciente quer fazer por rotina a gente orienta a fazer de uma a duas vezes por ano, mas quando existe uma exposição de risco, uma relação sexual desprotegida por exemplo a gente orienta a fazer o mais precoce possível, o ideal é fazer no mesmo dia ou no máximo no dia seguinte pois existe um protocolo que pode ser iniciado em até 72 horas após a exposição, então quando antes iniciar o protocolo melhor a resposta da medicação”, comenta.

No Estado

Em 2019 no Estado de Santa Catarina foram registrados 1.205 novos casos de Aids, em comparação com o ano de 2018 houve uma queda de cerca de 100 casos, naquele ano foram notificados 1.305.

Diferença entre HIV e Aids

O HIV é o vírus da imunodeficiência que pode levar à Aids, o corpo humano não é capaz de eliminar o HIV, ou seja, uma vez adquirido, o vírus permanecerá no organismo a vida toda. O HIV se espalha por meio dos fluidos corporais e afeta, principalmente, células do sistema imune (sistema de defesa do organismo). Com o passar do tempo, o HIV pode destruir essas células de tal forma que o organismo se torna incapaz de lutar contra infecções e doenças em geral. Quando isso acontece, é sinal de que a infecção pelo HIV levou à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, a Aids.