Alto Vale
Foto: Helena Marquardt/DAV

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Com a modernização e avanços da tecnologia algumas profissões vêm desaparecendo ao longo dos anos, mas apesar de todas as dificuldades ainda há quem resista ao tempo e lute para manter vivos ofícios que já tiveram sua “época de ouro”, mas que entraram em decadência e quase não são mais vistos. É o caso de Osmar Marques, morador de Rio do Sul que atua como engraxate desde os 10 anos de idade.

Hoje aos 42 anos ele lembra que foi o primo quem lhe ensinou tudo que sabe e também construiu a primeira caixinha de madeira que era carregada pelas ruas e onde guardava a graxa, escovas, panos e tudo que precisava para o trabalho. “Na época ele fez a minha caixinha e me ensinou o que eu precisava saber, eu comecei a ser engraxate ainda criança e estou até hoje”, explica.

Osmar conta ainda que na época em início de carreira eram tantos engraxates que a disputa pelos clientes era acirrada. “As vezes tinha até briga para ver quem engraxava os sapatos das pessoas na rua, mas com o tempo foi diminuindo os profissionais e a clientela, mesmo assim continuei”, afirma.
Atualmente ele cobra R$ 8,00 para engraxar um par de sapatos, o que leva cerca de cinco minutos, tempo em que aproveita para conversar com os clientes e mostrar o dom para a música, que segundo ele, ainda ajuda a atrair e fidelizar os clientes. Com habilidade Osmar faz uma espécie de samba com o pano, e o som impressiona os fregueses.

Como engraxate ele ganha em média R$ 100 por semana para completar a renda, já que a clientela vem diminuindo ao longo dos anos. O morador de Rio do Sul também atua alguns dias como servente geral fazendo limpeza de terrenos e outros serviços, mas garante que a intenção é preservar a profissão que aprendeu quando ainda era criança. “É o que eu gosto de fazer e acredito que tem que ter o engraxate, é uma profissão muito boa e não quero parar”, garante.

O empresário Claudinei da Silva é um dos clientes de Osmar e conta que utiliza o serviço há anos por dois motivos. “A graxa que eles usam é melhor que aquela líquida que vendem no mercado e também acho que é importante valorizar esse trabalho que existe há tanto tempo. Pena que diminuiu bastante e penso que deveria até existir um local fixo para eles atuarem”, comentou.

Ele acredita também que a profissão faz parte da história e até da cultura popular. “Ele faz o samba na hora de lustrar o sapato e não deixa de ser uma coisa folclórica então é um meio de incentivar e manter essa profissão”, opina Claudinei.