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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Durante todo o período de pandemia, uma das maiores preocupações da Saúde do Estado é em relação aos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nas unidades hospitalares. Nesse sentido, após um elevado número de mortos, a preocupação do setor além da terceira onda seria com os procedimentos eletivos em espera. Para estudar o que vêm sendo feito nos hospitais, uma reunião nesta segunda-feira (24) contou com lideranças do Estado e da região.

O secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, se reuniu com a direção da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Santa Catarina (Fehoesc) representada pelo presidente Giovani Nascimento e com o presidente da Fundação de Saúde do Alto Vale do Itajaí (Fusavi), Osmar Peters. A pauta do encontro discutiu a reformulação de políticas no setor, que consiste na ampliação de serviços prestados pela rede SUS pelos hospitais habilitados e ampliação de unidades habilitadas a prestarem os serviços de acordo com a política hospitalar catarinense.

Questionado sobre a demanda gerada pela pandemia, Giovani afirma que a discussão foi em relação a preocupação com um novo crescimento de casos, mas que também é preciso pensar no aumento da fila de espera formada por pacientes que aguardam procedimentos eletivos. “Como eu sempre digo, não é só pela covid que os pacientes estão sendo acometidos. É preciso que a rede hospitalar identifique em cada região, quais são os hospitais que têm condições de começar a fazer cirurgias de média e alta complexidade para aliviar a fila de espera por procedimentos eletivos, que hoje ultrapassa 90 mil. Quer dizer, quando terminar a pandemia da covid, nós vamos começar a pandemia dos procedimentos eletivos e como se pretende combater isso?”, questiona.

Ele diz que mesmo após uma estabilização ou até fim da pandemia, a ideia é manter pelo menos 500 dos leitos habilitados para atendimentos da covid para conseguir amenizar a demanda represada das cirurgias eletivas.

“Hoje temos mil leitos habilitados no estado para atendimentos da Covid e vai se buscar junto ao Ministério da Saúde, assim que a pandemia der uma aliviada, se manter pelo menos 500 desses leitos para o enfrentamento e agilização das filas de procedimentos eletivos que necessitam de leitos de UTI e enfermaria. A conversa foi nesse sentido, de nos aproximarmos mais ainda e começar estudar formas de fazer esse enfrentamento da pandemia e dos procedimentos eletivos estagnados em Santa Catarina”, acrescenta.

O presidente da Fehoesc ainda destaca que com a vacinação atrasada em Santa Catarina, a previsão de estabilização na situação da pandemia é para setembro. Até lá é possível ter um novo pico. “Já estamos no início de uma terceira onda, visto que o número de internações e casos vem crescendo diariamente e isso certamente nos próximos dois meses nos levará a um novo pico da pandemia. Estima-se que a partir de setembro se tenha uma estabilização em relação ao número de casos de covid, pois aí amplia-se o número de vacinados, de infectados e aí se pode chegar a um denominador de estabilidade, até porque a vacinação no estado de Santa Catarina está atrasada, era para terminar no próximo mês e não vai terminar, vai até agosto, setembro”, comenta.

Ele destacou ainda que o secretário de Estado da Saúde, André Motta deve visitar o Hospital Regional Alto Vale para conhecer as demandas específicas da região. “Ele entende o Hospital Regional Alto Vale, como unidade estratégica para atendimentos de alta complexidade para a região do Alto Vale do Itajaí, que precisa atender não apenas os pacientes covid. Isso precisa ser melhor estruturado, melhor dividido entre a rede hospitalar existente, então quando ele estiver aqui, vamos mostrar qual a demanda, qual a capacidade e aí sim, a gente vai dar início ao processo de aceleração dos procedimentos eletivos e demais atendimentos”, completa.