Alto Vale

Com poucas criações no Brasil, montbeliarde é uma raça francesa de gado leiteiro. São animais que se adaptam a diversos climas e produzem leite com bastante proteína, o que é bom para a produção de queijos, além de servir também para o corte. De olho neste segmento, a Administração Municipal de Rio do Campo está investindo no conhecimento sobre a criação do animal.

O prefeito de Rio do Campo, Rodrigo Preis, e o veterinário da prefeitura foram para a França e nesta semana participam de algumas atividades visando obter qualificação sobre a criação e sustentabilidade deste tipo de animal. “Esse projeto começou há algum tempo aqui na região e a pessoa que iniciou esse trabalho era do Rio Grande do Sul e veio a falecer. A gente teve algumas transferências de embrião aqui […] e agora o prefeito está nessa viagem, com uma grande agenda”, informou o secretário de Administração e Finanças de Rio do Campo, Jean Carlos Kulkamp.

Para Preis, que já trabalhou em cooperativas do segmento, o conhecimento dele pode ajudar o município. “Já são quase dois anos que o projeto está parado, como eu já fui duas vezes e tenho os contatos, falamos com os franceses e retomamos o intercâmbio”, comentou o prefeito.

Entre os compromissos no estrangeiro, estão visitas em propriedades com criação do gado, reuniões e uma exposição. Na segunda-feira, Preiss visitou uma fábrica de ração animal que é produzida de forma totalmente orgânica, sem nenhum produto transgênico ou químico.

Gado criado em uma propriedade de produtor riocampense.

Ele participou de uma reunião com a representante do Comitê Nacional da Agricultura Ecológica da França e também do Comitê da União Europeia da Agricultura Ecológica. A alimentação do gado na propriedade é composta praticamente de silagem e alfafa. O uso de ração é baixo, ao contrário do que acontece no Brasil, elevando os custos de produção. Observando isso, Preis entende que é possível reduzir os custos de produção do gado. “O governo tem um alto custo com isso. Há estudos que comprovam que os químicos são maléficos à saúde das pessoas”, disse Rodrigo Preis à assessoria de imprensa da Prefeitura de Rio do Campo. Além de ter a alimentação e produção como tema, a visita nessa propriedade focou muito a genética. Abordou-se a economia que se tem com medicamentos na França e foram explorados os benefícios deste modelo.

Ontem o compromisso na França foi em uma fábrica de ração animal e em uma propriedade com diversas vacas da raça montbeliarde. A viagem segue até o fim da semana. O prefeito volta ao Brasil, mas pega férias em seguida. Logo depois do período de 30 dias, segundo a Prefeitura, a ideia é colocar em prática o que foi aprendido no estrangeiro. “Como a França em algumas situações está muito avançada em comparação a nós, a intenção é conhecer essas práticas, trazer para a nossa região e tentar implementar aqui”, comentou Kulkamp. O secretário ainda pontuou que depois da visita o Município vai pensar em formas de repassar o conhecimento para os agricultores.

A economia da cidade de Rio do Campo é basicamente agrícola e a principal produção é de suínos, mas, segundo Kulkamp, o corte da raça montbeliarde é um diferencial atrativo pra a agricultura. “A principal produção em questão de faturamento é a produção de suínos, seguida de tabaco, leite e arroz […] então a ideia é potencializar as fazendas que já são produtoras de leite, já aproveitando que a raça se adapta bem às condições climáticas daqui e que é um bom gado também para corte, esse é o principal diferencial que agrega para nós”, declarou o secretário. O gado da raça montbeliarde começou a ser criado em Santa Catarina em 2010. Em Rio do Campo, alguns produtores criam o meio-sangue, que é o animal gerado por um puro-sangue e um animal de outra raça e quatro novilhos de transferência embrionária.

Suellen Venturni