Cultura
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Reportagem: Helena Marquardt

A qualidade da arte produzida em Rio do Sul mostrou mais uma vez que não perde em nada para trabalhos de grandes centros. Prova disso é que a Companhia de Teatro Cobaia Cênica, de Rio do Sul, obteve 12 indicações ao Prêmio Cenym de Teatro Nacional com os espetáculos “Benjamin-filho da felicidade” e “O que só passarinho entende”.
Benjamin,foi a peça que mais obteve indicações e está concorrendo ao prêmio de melhor espetáculo, melhor companhia, melhor direção, melhor ator, melhor texto original, melhor trilha sonora, melhor canção, melhor iluminação, melhor efeitos sonoros e melhor qualidade artística. Já “O que passarinho entende”, teve indicações na categoria melhor ator e melhor efeitos sonoros. O resultado final dos ganhadores deve ser divulgado em novembro.
O ator Thiago Becker conta que no início do ano a companhia fez uma temporada de um mês no Rio de Janeiro com Benjamin e iniciou uma temporada de O que só passarinho entende, que acabou sendo interrompida por causa da pandemia. Ele acredita que essas apresentações deram visibilidade aos espetáculos rio-sulenses que foram prestigiados por vários críticos e surpreenderam com tantas indicações ao prêmio. “A gente não esperava porque geralmente esses prêmios são segregados para companhias dos grandes centros, mas ficamos muito felizes. Para nós a indicação é uma alegria imensa”, disse.
O protagonista de Passarinho, Samuel de Paes de Luna, explica que o prêmio é um dos mais importantes do cenário nacional pois dá espaço justamente para que companhias de todos os estados concorram de forma igualitária com grandes produções e artistas renomados. “Os dois espetáculos estarem concorrendo nos deixa muito felizes. Essa indicação a um prêmio nacional, de um trabalho que nasce no interior de Santa Catarina leva o nome de Rio do Sul com muito orgulho e esperamos que isso abra portas, faça as pessoas olharem com outros olhares para o nosso trabalho e também para nosso currículo, isso é importante para editais, para que possamos ser contemplados com prêmios. Isso dá uma credibilidade ainda maior e significa ainda mais trabalho, mais dedicação para poder fazer jus a esse reconhecimento, buscando ainda mais excelência e que alcance o máximo de pessoas possível”, completou.
Os artistas também contaram que a companhia surgiu em 2010 dentro dos portões da Fundação Cultural, de uma vontade coletiva e que tinha como foco principal o estudo, pesquisa e experimentações do fazer teatral. A primeira montagem foi feita em 2011 e desde então foram diversos espetáculos.
Em 2015, com o lançamento do 1º edital Nodgi Pellizzetti de Incentivo à Cultura, a Cobaia Cênica ganhou “asas” e tornou- se uma companhia independente. A partir daí foram diversas monstagens de espetáculos, entre elas Benjamim e O que só passarinho entende, que já foram assistidos e encantaram milhares de pessoas. “O que mais sonhamos para nosso ofício é chegar nas pessoas, especialmente as que mais precisam e que mais são carentes de arte e cultura. É para esse público que a gente gosta de trabalhar e emocionar”, finaliza.

O prêmio

A honraria é entregue anualmente pela Academia de Artes no Teatro do Brasil, em reconhecimento à excelência de desempenho dos profissionais e espetáculos mais proeminentes do teatro brasileiro. É concedido anualmente através do voto do grupo de membros votantes da Academia, formado por atores, atrizes, diretores, cenógrafos, coreógrafos, figurinistas, iluminadores, sonoplastas, maquiadores, críticos e outros profissionais em atividade nos palcos de todo o país.
Atualmente a cerimônia de entrega das estatuetas ocorre tradicionalmente em novembro, celebrando as melhores realizações técnicas e artísticas do ano em 30 categorias.