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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Nos próximos dias o combate a violência contra as mulheres e a busca por mais igualdade vai ganhar um grande aliado: o Instituto Brasileiro Mulheres em Luta (Ibramel), uma instituição  que está sendo criada em Rio do Sul para mobilizar mulheres da cidade, estado e até de todo o país a refletirem  sobre seus direitos e sobre crimes que não pode mais ser aceitados como a violência física ou psicológica. O lançamento oficial está marcado para o dia 8 de março.

A fundadora é a advogada Fabiana Linhares  que destaca que o Instituto Mulheres em Luta é uma instituição sem fins lucrativos de caráter educacional, social e solidário que tem por objetivo promover  campanhas e ações em prol de lutas femininas históricas tendo como principais o combate ao feminicídio no Brasil, a luta por políticas públicas para as mulheres e a representatividade feminina em todos os espaços  públicos e privados onde existam processos decisórios. “Precisamos de mulheres somando suas inteligências com os homens em todos os espaços. O que a gente precisa é estarmos juntas e colocar a nossa posição de mulheres que pensam e refletem sobre uma sociedade onde ainda temos que lutar muito até pelo direito a vida”, opina.

Ela destaca que no Brasil a cada 15 segundos uma mulher é machucada e para mudar esta realidade todos precisam fazer a sua parte. “Temos feminicídios frequentes, os dados estão aí. Temos rostos de mulheres em luto, mas a cada vida que a gente perde ou a cada ato de violência nas mais diversas formas, precisamos encarar isso enquanto sociedade com a pergunta e agora? O que a gente faz?”, disse.

Sobre a violência contra a mulher ela comenta que mesmo ao longo dos anos, as dezenas de campanhas ainda se concentram em tentar mostrar do porque as mulheres precisam denunciar, o que ainda é uma grande dificuldade.  “Ainda são sobre porque precisam fazer Boletim de Ocorrência, deixar a sua casa e passar a ‘vergonha’ de ir a uma delegacia. Não é fácil porque você está lidando com a dor e com a intimidade e com a vida da pessoa, mas hoje não temos as corretas estatísticas e  a possibilidade de ação do Estado se a mulher não denuncia”, disse.

Fabiana comenta ainda que o Instituto quer também concentrar dados regionais e catarinenses sobre a ocorrência de atos de violação aos direitos das mulheres em todas as suas formas e ainda, valorizar as mulheres que se dispõe a trabalhar pelas causas e fazer representação ao lado dos homens e de todas as pessoas independentemente de sua definição de gênero.

A fundadora do Instituto é ativista e desde 2013 iniciou as campanhas em prol das causas da mulher em Rio do Sul. Junto com ela no Abramel estarão várias mulheres que dividirão as funções de acordo com suas aptidões. “É uma luta que toca meu coração e falo com muito orgulho que Rio do Sul tem deixado nos últimos anos um cenário de silêncio para um cenário de fala e esse trabalho precisa continuar com ainda mais força”, ressalta

Representatividade da mulher

Recentemente a advogada também realizou um estudo sobre a representatividade das mulheres na política no Alto Vale do Itajaí analisando por exemplo o número de vereadores eleitas em todos os municípios da região. Em algumas cidades  elas chegam a ocupar quatro cadeiras, mas em outras poucas foram eleitas. “Vejo que a gente avança, mas ainda é muito pouco. A prova é de que muitas mulheres veem a política como algo que não as chama, não se sentem convidadas a participar”, completa.

O lançamento oficial do Instituto está marcado para o dia 8 de março, às 10 horas, na Praça Ermenbergo Pellizzetti e todas as mulheres estão convidadas a prestigiar. No local serão seguidas todas as recomendações dos órgãos de saúde  como distanciamento entre outras.