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Foto: Alan Garcia/DAV

Cláudia Pletsch/DAV

Uma luta constante pela vida. Esse é o dia a dia de um morador de Rio do Sul que convive com a Hipertensão Pulmonar, uma doença que afeta as artérias e veias do pulmão dificultando a passagem do sangue. Antenor Melchioretto tem 51 anos e teve o diagnóstico há cerca de 17, mas com o passar dos anos o quadro foi piorando e hoje ele precisa tomar um medicamento que custa quase R$30 mil por mês, mas que foi negado pela justiça.

O medicamento conhecido como Adempas não é fornecido pelo SUS e é o mais indicado para o tratamento da Hipertensão Pulmonar. Antenor chegou a utilizar o remédio por dois anos pois foi fornecido a ele em caráter emergencial, mas há cerca de dois anos ele parou de receber e seu quadro segue se agravando. “Minha doença é da categoria quatro, é um estágio mais grave e hoje meu tratamento foi negado pelo governo pois eles dizem que teria outro remédio mais indicado para o meu tratamento, mas enquanto eu tomava o remédio eu estava me sentindo bem melhor e até o médico estava achando que eu estava melhorando, mas como acabaram cortando eu fiquei sem tratamento. Hoje não tenho o que fazer, estou só no oxigênio e de mãos atadas” comenta.

A coordenadora de atividades da Associação Brasileira de Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (Abraf), Rosemari Haak Tieges, acompanha o caso de Antenor há muitos anos e diz que ele não é o único a passar por essa situação, outras centenas de pessoas também esperam por respostas da justiça e convivem sem tratamento. “A situação do Antenor reflete bem a situação de diversos pacientes de todo o estado. Em fevereiro de 2018 a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) entendeu pela não incorporação da medicação no SUS, então para o paciente poder receber ele precisa entrar com uma ação judicial e foi o que aconteceu no caso do seu Antenor. Ele entrou com uma ação e ganhou a tutela de urgência durante dois anos, mas quando ela foi julgada foi decidia como improcedente e em outubro de 2020 a gente levou essa situação ao Ministério Público de Santa Catarina e a ouvidoria encaminhou para a 6ª Promotoria de Justiça de Rio do Sul, eles analisaram o caso e foi sugerida uma ação individual na Defensoria Pública diante da gravidade do quadro do paciente e também foi encaminhado para o Ministério Público Federal para uma possível ação coletiva, pela incorporação da medicação no SUS. Em resposta da Defensoria Pública, como o Antenor já tinha uma ação julgada pela Justiça Federal ele não tem mais direito a abrir um novo processo então a esperança seria a ação conjunta mas que pode demorar anos, tempo que ele não tem”, explica.

Hoje Antenor tem que utilizar oxigênio 24 horas por dia e tem dificuldades para caminhar curtas distâncias ou para fazer atividades simples do dia a dia. Na busca da melhora no seu quadro ele faz a compra de um medicamento diretamente de São Paulo, mas esse remédio não é o mais indicado para o tratamento. “Hoje eu tomo esse outro que eu compro, tomo dois por dia e a recomendação do médico é três por dia, mas é muito caro tenho que comprar em São Paulo para conseguir mais barato e quem não tem dinheiro não tem como pagar”, completa.

Quem sustenta a casa, os dois filhos e o tratamento é a esposa do Antenor já que por conta da condição que enfrenta ele não consegue trabalhar fora. “Minha esposa tem que trabalhar para fazer as compras, remédios e para as crianças que estão estudando pois a gente tem que dar um estudo para eles pois hoje a dificuldade já é grande e se eles não tiverem um estudo não fazem nada”, relata.

Mesmo com todas as dificuldades e sem saber a quem recorrer por ajuda o rio-sulense ainda luta com todas as forças e sonha em ter muitos anos de vida junto da família. “Eu sou da roça, estudei até o quarto ano e hoje faço o que eu posso, faço as coisas dentro de casa e sempre tenho os filhos me ajudando então é só isso que eu tenho para dizer, que o governo ajude essas pessoas que nem eu e as outras pessoas que sofrem com isso. É isso que eu peço”, finaliza.