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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Quem nunca pensou em montar um negócio e ter liberdade para trabalhar de qualquer lugar? O que para alguns parece ser impossível para outros pode ser mais “simples”, basta ter coragem e deixar a criatividade fluir. Foi o que fez um casal de Rio do Sul, que ao buscar uma forma para se desfazer de uma calça jeans velha sem agredir o meio-ambiente, descobriu uma oportunidade de negócio. Hoje a Cacto Azul, além de vender suas peças no e-commerce, também ajuda outras pessoas a desenvolverem seus negócios através da internet.

A advogada e proprietária da marca, Duani Stedile, conta que o marido tinha uma calça rasgada que precisava se desfazer, mas não queria jogar no lixo porque não seria a forma correta de descartar. Então, começaram a buscar na internet formas de transformar a peça e descobriram um modelo de mochila. Como a mãe de Duani é costureira, foi mais fácil colocar a ideia em prática.

“Pesquisamos na internet e achamos vários modelos possíveis para fazer com peças jeans velhas para não estar se desfazendo em lixos ou aterros sanitários. Criamos a mochila e pensamos em dar continuidade”, comenta.

“Foi a nossa primeira peça. A Duani começou a usar e em todos os lugares por onde ela passava o pessoal perguntava onde ela tinha comprado e vimos ali uma oportunidade de negócio”, acrescenta o proprietário, Breno da Silva Pereira.

Após terem tomado a decisão de continuar, foram em busca de matéria-prima, jeans velhos em brechós. Com o passar do tempo descobriram bazares filantrópicos promovidos por instituições da cidade e passaram a fazer da marca um símbolo de criatividade, sustentabilidade e solidariedade.

“Com o tempo fomos descobrindo que temos várias atividades filantrópicas em Rio do Sul e região que promovem bazares que vendem peças jeans para arrecadar valores e ajudar pessoas carentes. Priorizamos a compra nessas entidades e testamos outros produtos. Começamos a fazer bolsas, capinhas de óculos, necessaire, amarradores de cabelo, produtos básicos porque a gente não é do ramo da moda”, lembra.

No início as peças eram vendidas em feiras de artesanato locais e através do Instagram, mas como a marca foi crescendo, Duani que trabalhava em um escritório de advocacia e Breno que trabalhava em uma empresa de tecnologia, deixaram seus empregos para se dedicar à marca.

“No ano passado saímos da CLT para nos dedicar integralmente a nossa marca devido a demanda. No início vendíamos apenas nas feirinhas e Instagram, no ano retrasado começamos o nosso site, nosso e-commerce, bem perto do início da pandemia, e começamos a vender on-line”, revela.
Embora pareça fácil, trabalhar com vendas on-line pode ser um desafio para iniciantes, então, eles dedicaram-se aos estudos, mentorias e aplicaram todo o conhecimento adquirido na Cacto Azul.

“Começamos a vender bem e hoje só vendemos pelo e-commerce, não temos pretensão de abrir um espaço físico. Pretendemos crescer ainda mais on-line, vendemos para todo o Brasil, uma média de 300 peças por mês e temos três costureiras que nos prestam serviços e mais uma pessoa que desmancha as peças jeans manualmente. Somos uma equipe de seis pessoas”, disse Duani.

Questionados sobre como avaliam o desafio de largar um emprego garantido para iniciar um e-commerce, eles afirmam que o novo trabalho proporcionou liberdade.

“A gente tem mais liberdade de horário, trabalhamos mais do que antes, mas escolhemos quando queremos trabalhar. Da mesma forma que trabalhamos no final de semana, se a gente quiser viajar durante a semana temos essa liberdade. Além disso, conseguimos trabalhar de qualquer lugar”, afirma Breno.

Cacto Ajuda

Após muitos estudos para otimizar e ampliar as vendas através do e-commerce, muitas pessoas teriam começado a procurar ajuda, pedir dicas para começar um negócio on-line, então, eles decidiram lançar um curso e vender mentorias e criaram também a marca Cacto Ajuda.

“As pessoas foram vendo que o nosso negócio foi crescendo e começaram a nos seguir para buscar inspiração, pediam ajuda e lançamos uma outra marca no ano passado, a Cacto Ajuda, no intuito de ajudar pessoas que querem vender um produto ou serviço pela internet”, finaliza.