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Foto: Arquivo/DAV

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Os corpos das vítimas de acidentes de trânsito dos últimos dias foram encaminhados para autópsia em outras regiões. Isso porque a sala de necropsia do Instituto Médico Legal (IML) de Rio do Sul permanece interditada desde o dia 2 de agosto quando a Vigilância Sanitária fez uma vistoria após denúncias e constatou diversas irregularidades. Mais de duas semanas depois, o espaço permanece lacrado aguardado as adequações que precisam ser feitas pelo Estado para a liberação.

Procurado pela reportagem para esclarecer quais medidas têm tomado desde a interdição, o Instituto Geral de Perícias (IGP) preferiu não se manifestar sobre o assunto e não deu qualquer resposta.

Já o diretor da Vigilância Sanitária de Rio do Sul, James Rides da Silva, conta que eles foram procurados pelo Estado que fez a proposta de utilizar uma sala da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas para voltar a oferecer o serviço, mas o órgão informou que isso seria inviável. “Isso porque a UPA não tem uma sala de necropsia, somente uma sala de apoio onde fica o corpo até a chegada do IML então pela legislação esse espaço não pode ser utilizado para esse fim”, esclareceu.

Diante da negativa, James afirma que nada foi feito no espaço interditado desde então e que o Governo do Estado alega que aguarda orçamento para fazer as adequações necessárias para liberação. “Enquanto isso os corpos continuam sendo levados para outras regiões”, completou.

No IML várias irregularidades foram constatadas pela fiscalização como o fato de a câmara fria estar estragada há meses e outras situações que colocavam a vida dos próprios servidores em risco e que motivaram a interdição. “A biossegurança dos funcionários estava comprometida devido a não estar adequada. Havia irregularidades em equipamentos, assepsia dos materiais, descontaminação, produtos inadequados como materiais utilizados na limpeza e higienização que não fazem parte dessa área da saúde. Você acaba tendo produtos químicos misturados com outros materiais que são utilizados na necropsia que não eram permitidos por lei”, esclareceu.

Outro problema apontado pela Vigilância é que a descontaminação do material utilizado nas necropsias também não estava sendo realizada. “Se fazia muito precariamente colocando as pessoas que trabalham ali em risco, o corpo contaminado indo para o velório e podendo contaminar outras pessoas ou mesmo os demais corpos que depois passavam por autópsia”.

O IML de Rio do Sul foi autuado e recebeu o prazo de 30 dias para fazer as adequações necessárias e cumprir tudo que determinam as legislações estaduais e federais. O prazo vence no dia 1º de setembro. Até lá o setor de necropsia segue interditado e lacrado e corpos terão que ser levados para cidades de outras regiões que contam com um IML. O setor administrativo permanece funcionando normalmente.