Alto Vale
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Reportagem Helena Marquardt/DAV

O município de Santa Terezinha, no Alto Vale do Itajaí, é a segunda cidade de Santa Catarina com maior índice de desmatamento, perdendo apenas para Ponte Serrada. É o que aponta o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, produzido pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Os dados são referentes aos anos de 2018 e 2019, mas foram divulgados somente agora e mostram que nos últimos anos, em pelo menos 10 cidades do estado tiveram juntas um desmatamento que equivale a cerca de 710 hectares.

De acordo com o comandante da Polícia Militar Ambiental de Rio do Sul, Charles de Souza, Em Santa Terezinha, a extração ilegal de madeira nativa ocorre principalmente para expansão urbana e agropecuária. O desmatamento é constatado inicialmente por imagens via satélite e também por imagens de drone, além da fiscalização presencial nas propriedades.

Um dado preocupante sobre o estudo divulgado nesta semana é que o Atlas mede apenas áreas de desflorestamento maiores que três hectares já que o satélite não enxerga pequenos desmatamentos, por isso há o risco de a floresta nativa ser derrubada aos poucos. O ranking informa sobre 100 municípios em 17 estados onde o bioma está presente. Apesar de a Mata Atlântica abranger cerca de 15% do território nacional, hoje restam apenas 12,4% da floresta que existia originalmente, uma destruição que se acentuou nos últimos anos.

O policial diz ainda que a região de Santa Terezinha, Rio do Campo e Taió concentram a maior parte das denúncias feitas à Polícia Ambiental em relação ao desmatamento. “Apesar de toda a fiscalização ainda temos muitos processos envolvendo desmatamento na região. É um dos locais onde mais fazemos autuações, seja após denúncias ou mesmo por requisição do Ministério Público e outros órgãos”, analisa.

Ele conta que a incidência de desmatamento, especialmente na localidade conhecida como Parolim é grande. “Buscamos coibir e prevenir, mas um agravante é que as pessoas tomam posse de uma determinada área e começam a fazer desmatamento, seja para venda da madeira em si ou também para utilizar a área para o cultivo agrícola. Só neste ano já fizemos várias vistorias e muitas culminaram em processos decorrentes de infrações ambientais”, completa.

A vice-presidente da Associação de Preservação do Meio Ambiente da Vida (Apremavi) Miriam Prochnow, ressalta que os dados do SOS Mata Atlântica são preocupantes pois reforçam o que a entidade tem visto na prática “Você anda pelos municípios e encontra esses focos de desmatamento, uma situação que praticamente não existia mais. Isso é uma consequência direta dos retrocessos ambientais que estamos vendo no país como um todo”, opina.

Ela ressalta ainda que num período de pandemia, onde todos deveriam se preocupar mais com qualidade de vida e com a preservação da natureza o cenário é justamente o oposto. “Isso numa região e num estado como Santa Catarina que só neste ano já teve um ciclone-bomba, evento que nunca tinha acontecido, e dois tornados. A forma mais eficiente de combater a crise climática é protegendo as florestas, preservando e restaurando o que precisa ser restaurado. Então esse é um apelo à sociedade para que as pessoas ajudem a denunciar porque esta é uma situação que não pode continuar”, conclui.

O diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Montovani, esclarece que o bioma é um dos mais ameaçados do mundo e conta inclusive com uma lei específica para preservação. “A lei da Mata Atlântica não existe para impedir o desenvolvimento, pois muito dela se aplica em regiões montanhosas onde a agricultura não ocorreu por conta do Código Florestal. Mas o que não pode é praticar o desmatamento em áreas proibidas, como nas Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. É preciso considerar que a floresta interfere no clima e com consequências para todos, inclusive das cidades” observa.

Confira os municípios com maior índice de desmatamento em Santa Catarina:

Ponte Serrada;

Santa Terezinha;

Araquari;

São Francisco;

São Domingos;

Barra Velha;

Monte Castelo;

São José do Cerrito;

Rio dos Cedros;

Timbó Grande;

Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica