Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

O estado de Santa Catarina se destacou entre os estados da região Sul em cirurgias eletivas. É que em 2021, os hospitais catarinenses foram os que mais realizaram os procedimentos, levando em consideração a população residente. Ao todo foram 41.603 cirurgias hospitalares e 57.081 cirurgias ambulatoriais no período de um ano. Mas o Alto Vale ainda tem mais de quatro mil procedimentos em espera.

Quando somado, o número chega a 98.684, o que segundo dados do Ministério da Saúde, corresponde a 17,1% do total realizado em todo o Brasil, cerca de 578 mil. Em relação às cirurgias por habitante o estado perde apenas para o Amapá, que tem 857 mil habitantes e fez 43 mil cirurgias eletivas. Já Santa Catarina tem um número muito maior de habitantes (7.351.785) e fez mais de 98 mil procedimentos.

O presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Santa Catarina, Giovani Nascimento, explica que apesar do bom desempenho ainda há muito trabalho pela frente, visto que há um alto número de pacientes que aguardam por algum tipo de procedimento.

“Em função da organização da Política Hospitalar Catarinense, onde se encontra inserido a política de organização dos procedimentos eletivos, nosso estado vem se destacando na realização de tais procedimentos. Ainda existe muito por fazer, esperamos que nas próximas semanas se consiga avançar ainda mais de forma mais célere. Pois conforme a situação da pandemia vai se estabilizando avançamos em outras frentes, principalmente na parte de procedimentos eletivos, pra que não vivamos uma nova pandemia de procedimentos eletivos paralisados no estado”, destaca.

Questionado sobre a situação da região do Alto Vale, ele afirma que a fila de espera já diminuiu, mas que a espera é superior a quatro mil procedimentos em atraso. “No Alto Vale, apesar de a fila já haver diminuído, espera é superior a quatro mil procedimentos em atraso. Hoje só o Hospital Regional Alto Vale (HRAV), atende casos de Covid-19 em UTI na região e isso tem dificultado a realização de procedimentos de alta complexidade e procedimentos eletivos”, completa.

Embora ainda não se tenha motivos para comemoração, uma vez que a fila de espera ainda existe e muitas pessoas ainda aguardam pela resolução de um problema, a queda nas esperas já é uma realidade. Rio Grande do Sul, por exemplo, fez 21.896 cirurgias no ano passado, o Paraná fez 20.045 procedimentos. Mas Santa Catarina superou os estados vizinhos em 350 % a mais.

O secretário de Saúde do Estado, André Motta Ribeiro, disse que a pandemia ocasionou momentos de dificuldade e celebra a conquista em nível nacional.

“Enfrentamos momentos muito difíceis na pandemia, no ano que passou, mas nosso desafio tem sido a atual conjuntura acerca do que encontraremos pós-pandemia na saúde pública e a preocupação tem sido, sim, as cirurgias eletivas. Para isso, nós criamos uma força-tarefa para fazer o máximo de cirurgias em um curto espaço de tempo para reduzirmos consideravelmente as filas de espera. O resultado está sendo reconhecido e celebrado a nível nacional”, pontuou.

Um dos acréscimos mais importantes para o aumento das cirurgias e diminuição das filas é a Política Hospitalar Catarinense, que possibilita um investimento de aproximadamente R$ 618,2 milhões em hospitais de Santa Catarina, a partir de 2022. Os recursos são disponibilizados para custeio, manutenção e investimentos, quando aprovado. No ano passado o valor investido pela PHC foi menor, apenas R$ 268,3 milhões. Agora, a expectativa é que seja realizado um volume ainda maior de eletivas, com 15 mil ao mês, a partir de março e aproximadamente 500 procedimentos ao dia.