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Foto: Divulgação

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Um morador de Rio do Sul que encontrou uma ave silvestre machucada na varanda de seu apartamento no bairro Taboão relatou a dificuldade de conseguir atendimento e encaminhamento para o animal. Ele afirma que tentou contato diversos órgãos ambientais e só depois de oito horas conseguiu dar uma destinação para a ave, da espécie Syrigma sibilatrix, conhecida popularmente como maria-faceira,  que segundo a Polícia Ambiental acabou bem e solta em seu habitat natural nesta sexta-feira (18).

O auxiliar administrativo Rafael Ventura Zemke, conta que quando ele e a esposa  acordaram já encontraram a ave que aparentava estar com a asa quebrada. “Ela não conseguia voar e iniciamos as tentativas de contatos com os órgãos ambientais para que alguém recolhesse e prestasse socorro ao animal que é silvestre. Ligamos para Polícia Ambiental e disseram que não era competência deles, que seria do Instituto do Meio Ambiente (IMA). Ligamos para o IMA tanto de Rio do Sul quanto de Florianópolis mais de 20 vezes e ninguém atendeu. Ligamos para a prefeitura e o setor de Meio Ambiente também disse que não tinha ninguém que pudesse fazer esse trabalho”, relata.

Sem ter como ajudar a ave, ele diz que acabou indo trabalhar e deixando a garça na varanda do apartamento mesmo machucada. “Quando voltei do trabalho, quase sete horas da noite acabamos colocando dentro de uma caixa e levamos lá na Polícia Ambiental. Não queriam receber mas eu falei que não tinha o que fazer com ela e iria soltar na rua, então eles acabaram ficando”, explica.

Ele comentou ainda que casos parecidos acontecem com frequência na região e os animais acabam morrendo sem tratamento. “Temos casos de animais silvestres que acabam sendo atropelados, se machucando e o cidadão procura, mas não recebe a ajuda que espera por parte dos órgãos competentes. Foi o que senti ontem. Se tivesse pego e levado para  a casa para tentar tratar até se recuperar correria o risco de ser multado. É complicado”, lamentou.

Responsabilidade do IMA

Procurada pela reportagem o responsável pela PM Ambiental, Charles de Souza, afirmou que a lei determina que a responsabilidade de recolher e tratar animais silvestres é do Instituto do meio Ambiente, a antiga Fatma, e que isso está previsto no decreto  que regulamentou a Lei Nº 17491 que institui a política de gestão de pássaros nativos da fauna brasileira e exótica no âmbito do Estado de Santa Catarina.  “Nós não temos veterinário no nosso quadro de efetivo de funcionários e quem faz a gestão da fauna é o IMA. As vezes aceitamos e recolhemos alguns animais e corremos atrás da boa vontade de veterinários voluntários ou biólogos para atender o animal, mas a responsabilidade é do IMA”, disse

Ele afirma ainda que a ave levada por Rafael ficou na sede da PM ambiental e hoje pela manhã, quando os policiais foram trata-la perceberam que a garça já estava em perfeitas condições. “Não estava com a asa quebrada e saiu voando. Deve ter batido e ficado momentaneamente tonta, mas depois melhorou”, conclui.

A reportagem tentou contato com o IMA nos três telefones disponibilizados no site para conseguir um posicionamento do órgão sobre o caso, mas ninguém atendeu.