Cidade
Foto: Mário Daud

Despertar as habilidades e a partir daí ressignificar a própria vida. Com esse intuito foi criado o projeto Mãos que Transformam. A atividade foi concretizada por meio de parceria entre a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades) e o Centro de Atenção Psicossocial (Caps). O projeto é custeado por meio de emenda parlamentar no valor de R$ 200 mil. A turma inicial conta com cerca de 10 participantes em aulas que ocorrem uma vez por semana. A atividade proporciona o aprendizado de artesanato, trabalhos de costura e marcenaria artística.

A secretária da Seades, Danielle Zanella, ressalta que essa é uma forma de integração e socialização. “Esta iniciativa também conta com apoio da Secretaria de Saúde e certamente vai transformar a vida dessas pessoas”, lembra Danielle. O local onde acontece os encontros foi revitalizado justamente para atender a demanda de alunos.

“Essa é uma forma de fazer a inclusão social de pacientes do Caps. Proporcionar ocupação terapêutica, estimular o trabalho voluntário e promover cidadania. Além de sugerir o empreendedorismo e a inserção no mercado de trabalho. Quando falamos em saúde mental estamos nos referindo a toda sociedade. Cuidar da alma é uma experiência de terapia. É uma oportunidade de dar mais sentido à vida, ao voltar um olhar mais atencioso para as pequenas ações do cotidiano”, diz a secretária de Saúde, Sueli Oliveira.

“O projeto proporciona qualidade de vida e incentiva o desenvolvimento e dotes artísticos”, pontua o prefeito José Thomé. E complementa ao assegurar que “não há problema algum em reconhecer e lidar com os próprios transtornos. Devemos enfrentá-los e reconhecer quando necessitamos de ajuda. Promover esse tipo de ação estimula a aptidão física, artesanal e a possibilidade de uma nova fonte de renda”.

Ver a luz

A aluna Regiane Fraga, de 45 anos e que é natural de Lauro Muller, disse que encontrou no trabalho artístico uma maneira de enfrentar a depressão e fibromialgia. “Sou paciente do Caps desde 2009, quando ainda residia em outra cidade. Gosto de trabalhar com artesanato e encontrei nesta ocupação um modo de sair do foco da dor e atualmente não fico mais trancada. Hoje voltei a ver a luz, vejo o sol. As aulas semanais me ajudaram a ter novos objetivos e metas”, divaga.

Com aparente aptidão artística, a paciente do Caps enumera os trabalhos já desenvolvidos: decoração em garrafa de vinho, garrafas de canto e de centro de sala, telas em tapete, mandala em jornal, barras em toalhas de cozinha, pintura em tecido, técnicas de decoupage em vidro e crochê. “São atividades que já faço desde os oito anos de idade”, relembra.