Alto Vale
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O juiz Jean Everton da Costa, da Vara Única da comarca de Taió, proferiu uma sentença com mais de 200 páginas, em que condena integrantes de uma organização criminosa armada especializada em roubos, furtos e desvios de cargas e crimes conexos. Esta é considerada a maior ação penal da história da comarca localizada no Alto Vale.

As condenações têm origem em duas fases da “Operação Carga Geral”, cuja investigação ficou sob responsabilidade da Delegacia de Furtos e Roubos de Cargas, da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC). Inicialmente 30 indiciados foram denunciados pelo Ministério Público. Destes, 27 foram efetivamente processados, dos quais 20 foram condenados pela prática de crimes como organização criminosa armada e receptação qualificada, além de lavagem de dinheiro e posse de arma de fogo.

O nome da operação foi dado em razão da variedade de produtos furtados, que posteriormente eram distribuídos por uma rede de receptadores e revendidos por valores que giravam em torno da metade do preço praticado no mercado legal. Eram negociados desde alimentos, como carne bovina, frango, enlatados e azeite até aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos e polietileno.

A atuação do grupo extrapolou os limites territoriais do Estado. Foram identificadas negociações de cargas, objeto de roubos e furtos também ocorridos em outros estados como Paraná e Minas Gerais. Em Santa Catarina, foi constatada a prática de crimes patrimoniais em municípios do litoral norte, Vale do Itajaí e Oeste, em sua maioria no primeiro semestre do ano de 2020. De acordo com o que foi relatado em juízo pelo delegado Osnei Valdir de Oliveira, que presidiu as investigações, foi notória a diminuição de crimes de roubo e furto de cargas no Estado nos meses seguintes à deflagração da operação policial.

A instrução processual, que ouviu cerca de 60 testemunhas, além dos interrogatórios dos acusados, ocorreu durante 15 dias de audiências realizadas integralmente por meio virtual, em observância às restrições decorrentes da pandemia da Covid-19. Segundo relato de servidores que atuam há décadas na comarca de Taió, trata-se certamente da maior ação penal já processada na unidade, em especial porque se tornaram comuns processos criminais com vários réus após o surgimento da lei que criou o crime de organização criminosa e instituiu meios de prova que auxiliam na investigação desta prática.

Da sentença cabe recurso ao Tribunal de Justiça e nomes dos condenados não foram divulgados visto que o processo tramita em segredo de justiça em razão da quebra do sigilo fiscal e bancário dos réus e terceiros que não integraram o feito.