Alto Vale
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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

No ano do inesperado isolamento social ocasionado pela pandemia da Covid-19, o Centro de Valorização da Vida (CVV) ajustou seus meios de contato com a população e voluntários para continuar oferecendo apoio emocional sigiloso e gratuito. Apesar de todas essas mudanças, a demanda não diminuiu e continua grande.
A Ong Despertar é a mantenedora do CVV de Rio do Sul. O presidente da entidade Gabriel Gomez explica que no Setembro Amarelo, mês de prevenção do suicídio, tradicionalmente havia uma programação nacional especial, mas relata que em 2020 foi preciso se adaptar a essa nova realidade trazida pela pandemia. “Agora fazemos cursos online por exemplo, o que é mais complicado, mas é como estamos fazendo. Falando em procura ela tem sido parecida, mas o que mudou realmente são os temas relacionados à pandemia como o medo, a ansiedade e a solidão que exigem mais apoio emocional. Por causa do isolamento social, também existe um isolamento emocional”, diz.
Ele afirma ainda que no ano passado os voluntários fizeram um desfile em Rio do Sul para lembrar o setembro Amarelo e que como isso não é possível neste ano, agora eles procuraram empresas que apoiem a causa e ajudem a divulgá-la através de panfletos ou outras formas. A entidade estimula que, além das atividades do Setembro Amarelo realizadas pelos seus próprios voluntários, a população, empresas, escolas, organizações sociais e poder público se mobilizem e realizem iniciativas de conscientização para reduzir os índices de suicídio no país.
Mesmo assim Gabriel garante que os atendimentos acontecem o dia todo e os cerca de 20 voluntários quase não dão conta da demanda. “O telefone não para, está constantemente tocando e precisaríamos de mais voluntários”, relata.

Cenário nacional

Antes do início da pandemia, menos de 10% dos atendimentos telefônicos eram realizados remotamente e, em menos de dois meses, esse modelo saltou para mais de 60%, garantindo segurança e saúde aos voluntários. Essa mudança colaborou para manter as cerca de 250 mil ligações, que totalizam cerca de 3.000 horas ao mês.
Em setembro, o CVV garantiu a mesma adaptação para mobilizar a população ao redor desse tema tão relevante e sensível. “Nossa prioridade será nas ações online, como palestras e debates”, comentou Adriana Rizzo, voluntária do CVV.
“Quando necessária alguma atividade presencial, recomendamos aos 4.200 voluntários de todo o país que evitem aglomerações, mesmo que em sua região essas atividades já estejam liberadas pelas autoridades”, complementa.
A entidade espera que a adesão ao tema seja ainda maior do que nos anos anteriores devido ao aumento das pressões emocionais no isolamento social, medo da doença e perdas decorrentes da Covid-19. Segundo Adriana, “neste ano, buscar oferecer ajuda tem sido ainda mais importante. Notamos que há muitas pessoas nesse movimento de acolher sem criticar, conversar e compreender os sentimentos daqueles que passam por momentos de tristeza, ansiedade, medo ou sensação de solidão.”
O Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio organizado pelo CVV, neste ano em sua 10ª edição, também migrou para o online. Gratuito e aberto desde seu início, era realizado cada ano em um município brasileiro. “Observamos que as pessoas perderam o receio de participar de cursos e eventos online”, comenta a voluntária. “Então, pudemos aproveitar a oportunidade e trazer ainda mais palestrantes internacionais e possibilitar que mais pessoas assistam às apresentações, pois rompemos a barreira geográfica.” Os vídeos podem ser acessados no canal CVV Oficial, no YouTube: https://www.youtube.com/user/CVVdivulgacao.

Sobre o CVV

O CVV presta serviço voluntário e gratuito de prevenção do suicídio e apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Os mais de 3 milhões de atendimentos anuais são realizados por voluntários em mais de 120 postos de atendimento pelo telefone 188 (sem custo de ligação), ou pelo www.cvv.org.br via chat, e-mail ou carta. A entidade realiza também ações presenciais, como palestras, Curso de Escutatória e grupos de apoio a sobreviventes do suicídio –GASS (https://www.cvv.org.br/cvv-comunidade/), frentes essas que geraram 2,8 milhões de contatos em 2019. O CVV é uma entidade financeira e administrativamente independente, mantendo-se por meio de doações de pessoas físicas e jurídicas –para colaborar, acesse https://www.cvv.org.br/colabore.