Cidade
Foto: Rafael Beling/DAV - Os atores que simulavam ferimentos foram transportados por ambulâncias ou pelo helicóptero do Exército Brasileiro

As ruas de Rio do Sul foram tomadas por caminhões, ônibus e outros veículos do Exército Brasileiro. O horizonte ganhou um novo cenário com o sobrevoo do helicóptero. As águas do rio Itajaí-Açu receberam novas estruturas, além de embarcações com as cores militares.

O que parece uma zona de guerra, na verdade é um exercício de Ajuda Humanitária à população de Santa Catarina. A atividade envolve cerca de 300 militares de Santa Catarina e Paraná, oriundos da 5ª Divisão do Exército, localizada em Curitiba (PR), 14ª Brigada Militar de Florianópolis e 23º Batalhão de Infantaria de Blumenau.

De acordo com o General Lourival Carvalho da Silva, Comandante da 5ª Divisão do Exército, o objetivo do treinamento é preparar as tropas para atuar em períodos de adversidades. “Podemos não ser empregados nunca, e esse é sempre nosso intento, mas temos, caso ocorra, que estarmos preparados para isso”, comenta.

Uma das atividades em destaque realizada pela operação foi explicada pelo Comandante de Operações Terrestres, Coronel Paulo Humberto. “Estamos simulando uma situação em que temos uma comunidade isolada em determinado ponto e avaliando de que forma chegaríamos mais rapidamente a esse local”, conta.

No exercício está envolvido o Corpo de Engenharia do Exército Brasileiro, que construiu uma estrutura chamada de passadeira, que consiste em embarcações presas por um cabo de aço, como também uma área de passagem de pessoas. Além disso, as embarcações também prestam o suporte necessário, assim como o helicóptero para a condução de pessoas que necessitam de serviço médico.

Diversos personagens foram posicionados à margem direita do rio Itajaí-Açu. Os militares utilizaram a passadeira para deslocar os supostos feridos para ambulâncias e também para o helicóptero, ambos posicionados na margem esquerda do rio.

O Coronel Paulo Humberto explica que o exercício está inserido no contexto da Defesa Civil. “Quem coordena as atividades em uma calamidade pública é a Defesa Civil, no caso de um incidente meteorológico, ou uma adversidade natural, o Exército Brasileiro tem determinadas capacidades que auxiliam na diminuição de danos”, argumenta.

Os treinamentos também são realizados em outras regiões do país, sempre conforme as adversidades específicas de cada clima. “Temos que estar preparados para qualquer tipo de calamidade que ocorra no nosso país, onde ocorrem deslizamentos de terra, enchentes, seca, vários tipos de flagelos que afetam nossa população”, revela o General Carvalho.

O acionamento do Exército Brasileiro ocorre conforme um protocolo pré-definido, e geralmente acontece quando o nível do rio Itajaí-Açu alcança um determinado nível. A partir disso, militares se inserem no Grupo de Gestão de Crise, coordenado pela Defesa Civil e outros órgãos de segurança pública como Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. “Nós somos um dos vetores que o órgão [Defesa Civil] pode contar para solucionar o problema”, explica o Coronel Paulo Humberto.

O exercício realizado consiste em um planejamento dos militares para uma atividade ainda maior que será realizada no ano que vem, em lembrança ao grande desastre natural que assolou a região de Blumenau em 2008. “No ano que vem é que vamos realmente empregar as tropas no terreno”, adianta o Coronel. “É uma boa oportunidade de olhar para trás, observar o que aconteceu, e o que evoluímos em resposta desde então”, complementa.

Os militares estão em Rio do Sul desde segunda-feira (27) e devem concluir a operação no dia de hoje, na sede do 23º Batalhão de Infantaria de Blumenau. A base de operações foi instalada na sede da Defesa Civil de Rio do Sul e também no espaço da Associação dos Servidores Públicos Municipais, localizado no bairro Progresso. Também estiveram envolvidos Bombeiros Militares de Santa Catarina.

Rafael Beling