Alto Vale
Foto: Helena Marquardt/DAV

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

A troca de cadáveres que aconteceu no Hospital Dr. Waldomiro Colautti, de Ibirama, em fevereiro está sendo investigada em uma sindicância determinada pela Corregedoria da Secretaria de Estado da Saúde (SES) a pedido da direção da unidade. O parecer sobre o caso deve ser emitido em até 60 dias.

O parecer determinando a sindicância e cobrando mais explicações foi assinado pelo corregedor Márcio Maienberger Coelho e publicado no Diário Oficial do Estado depois que as informações repassadas sobre o episódio foram consideradas como “insuficientes” e por isso o caso está sendo investigado.

Na época, por meio de nota, a unidade alegou que realizou todos os protocolos de identificação dos corpos, conforme recomendado pelo Núcleo Interno de Segurança do Paciente e que tinha imagens de câmeras de segurança comprovando que eles estavam identificados corretamente. Na nota divulgada após o ocorrido a direção do HDWC informou ainda que havia solicitado a abertura de um processo de sindicância administrativa para apurar os fatos e que lamentava profundamente o ocorrido.

Em entrevista ao Jornal Diário do Alto Vale nesta quarta-feira (5) a diretora do Dr. Waldomiro Colautti, Silvana Leite da Costa, explicou que o pedido de investigação partiu do próprio hospital. Ela esclareceu ainda que a comissão de sindicância é formada por três servidores efetivos da unidade e que eles iniciaram os trabalhos já na semana passada. “Na sexta-feira a comissão fez a primeira reunião e ontem começamos a colher depoimentos de todos os envolvidos na situação. Todas as pessoas serão chamadas”, garantiu.

O prazo para a conclusão é de 30 dias, mas caso não seja possível finalizar o parecer nesse período, o prazo pode ser prorrogado por mais 30 dias. “Temos o prazo de até 60 dias, mas queremos concluir o mais rápido possível. Depois dos depoimentos a comissão faz o parecer e é encaminhado para a análise da Corregedoria”, ressaltou.

O neto de uma das mulheres, Marcos Roberto Wunsch, comenta que o corpo da avó chegou para o velório apenas no dia seguinte e quando abriram o caixão ele já percebeu que não era ela. “Na hora já ligamos para o hospital e não sabiam dizer o que tinha acontecido. Só mais tarde é que tivemos a resposta da troca. Acredito que foi um erro de ambas as partes, tanto da funerária que pegou o corpo errado quanto do hospital que não conferiu, mas ainda acho que a maior culpa é do hospital. Como deixam o cara da funerária simplesmente entrar no necrotério e pegar qualquer corpo? Sem conferir se está levando a pessoa certa?”, questiona

Ele afirma que a família quer que os responsáveis sejam punidos até para que isso não volte a acontecer com outras famílias. “Foi uma total irresponsabilidade e por ela tivemos o sofrimento dobrado. Quando descobrimos a troca minha avó já havia até sido enterrada em outra cidade”.
A Secretaria de Estado da Saúde foi procurada pela reportagem para comentar a sindicância, mas alegou apenas que já se manifestou sobre o caso quando a troca dos corpos foi identificada. A SES também não respondeu sobre a expectativa de prazo para a conclusão do inquérito.

Relembre o caso

Na manhã do dia 15 de fevereiro, por volta das 9h30, a moradora de Ascurra, Elisia Wunsch de 92 anos, que estava internada no hospital veio a óbito e teve o corpo encaminhado ao necrotério da unidade.

Mais tarde, por volta das 11h20, uma moradora de Presidente Getúlio, Iolanda Marchi de 94 anos, que estava internada no mesmo setor também morreu. Porém, o corpo dela foi mantido na enfermaria.

Após a confirmação dos óbitos, segundo o hospital, as famílias foram comunicadas e ficaram responsáveis por acionar as funerárias para o translado dos corpos.

No entanto, a funerária contratada pela família de Presidente Getúlio chegou antes ao hospital e levou o corpo de Elisia. Na sequência, Iolanda foi recolhida pela funerária que prestava serviços para a família de Ascurra.

O equivoco só foi percebido durante o velório de Elisia Wunsch. Um neto da mulher teria percebido a diferença e confirmou a troca após analisar o corpo da avó. Segundo a família, Elisia passou por uma mastectomia há alguns anos e só tinha um seio. Após identificarem que o corpo não era o de Elisia, os familiares acionaram a Polícia Civil, que esteve no local. O velório foi suspenso e o corpo foi levado para a delegacia.

Após entrar em contato com o hospital, os familiares descobriram que o corpo de Elisia havia sido sepultado na cidade de Presidente Getúlio, cerca de 40 quilômetros de distância, e que na verdade estavam velando o corpo de Iolanda Marchi. Durante a tarde da terça-feira o corpo de Iolanda foi exumado para que a troca pudesse ser realizada e os familiares pudessem fazer o velório das idosas.