Cidade, Saúde

Suellen Venturini

Filas marcaram a primeira coleta de sangue do ano em Rio do Sul. Ontem (16), dezenas de pessoas foram até o Hospital Regional Alto Vale com a intenção de fazer a doação depois de seis meses sem coleta no município. Logo pela manhã, minutos depois de o banco de sangue abrir, as senhas para os vinte atendimentos do horário matutino já tinham acabado e por volta das 10h15 cerca de 15 pessoas já tinham deixado o nome para fazer a doação de sangue no período da tarde. No total, 55 senhas foram distribuídas para a doação de sangue, que ocorreu das 10h às 16h, com intervalo para almoço.

Para garantir a doação, Alairto Constante, 50 anos, chegou no hospital por volta das 7h30 – duas horas e meia antes do início do atendimento. Ele foi de Vidal Ramos até Rio do Sul para doar sangue para um parente que passou por uma cirurgia, mas contou que é doador de sangue há cerca de 28 anos.

Constante e outras pessoas, que esperavam para serem atendidas, opinaram que a cidade precisa de um local de captação diária de sangue, como é feito em hemocentros. “Com certeza seria muito melhor porque já evitaria filas. Brasileiro já fica tão estressado em fila que quando vê uma sai correndo”, ironizou Constante.

Para o morador de Vidal Ramos, um hemocentro na cidade faria com que as pessoas doassem com mais frequência, inclusive aqueles que não moram na região. “É difícil vir exclusivo para isso pra cá, mas aí, quando tem um compromisso, já vem doar”, comentou.

De acordo com o coordenador do Hemocentro de Lages, Antônio Jacó, que gerencia o serviço em Rio do Sul, os hemocentros são criados mediante um estudo feito pela gerência estadual do serviço, em Florianópolis, analisando vários fatores como população, demanda e outros itens.

A coleta já chegou a ser realizada semanalmente em Rio do Sul, mas agora acontece de acordo com a necessidade no estoque da rede, segundo o coordenador. “Os planejamentos estão vindo para mim de Florianópolis, voltados para uma forma mais responsável de uso do sangue. Então estamos destinando as coletas em municípios quando o estoque está mais baixo. É uma forma de uso racional do sangue também, porque as bolsas têm prazo de validade”, disse Jacó.

Para o coordenador, a grande procura pela doação de sangue é algo positivo e recorrente na região. “Normalmente o pessoal responde muito bem ao apelo pela doação de sangue em Rio do Sul e até pessoas de outras cidades participam das campanhas, seja por uma chamada da mídia ou em pedido de amigos”, comentou.

Ele explicou que, quando uma pessoa passa por cirurgia ou procedimento que precisa de transfusão de sangue, o hospital orienta o paciente a pedir que conhecidos, parentes e amigos doem sangue e assim mantenha o estoque de sangue cheio. Esse tipo de doação é feito independente da coleta realizada pelo hemocentro. “E mesmo se a pessoa não doar, não irá faltar o sangue para o paciente”, afirmou Jacó.

Ainda segundo Jacó, não existe previsão de quando a próxima coleta em Rio do Sul vai acontecer. A captação anterior foi realizada em novembro do ano passado e teve uma pausa grande porque a Secretaria de Estado da Saúde não estava repassando recursos necessários para o serviços.