Alto Vale
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Rafaela Correa/DAV

Após quase cinco dias de uma das maiores tragédias que atingiram o Alto Vale, profissionais continuam em busca por desaparecidos, mas aos poucos a cidade começa a ser reconstruída com a ajuda de muitas mãos. Pessoas de toda a região, comovidas com os estragos causados pela força incontrolável da natureza em Presidente Getúlio, Ibirama e Rio do Sul, fizeram campanhas para arrecadar itens de toda a necessidade para enviar aos desabrigados. Agora, o que eles ainda precisam são móveis, eletrodomésticos, material de construção e dinheiro.

Embora Rio do Sul e Ibirama tenham sido atingidas pela enxurrada, causando prejuízos, deixando desabrigados e infelizmente vítimas fatais, Presidente Getúlio foi o município mais castigado. Segundo o assistente social, Sandro Luiz Gonçalves, a maior necessidade das pessoas no momento é por móveis. “A gente não precisa mais de água, alimentos e roupas, o que estamos pedindo agora são móveis, material de construção e até valores em dinheiro porque são em média 450 casas atingidas onde as pessoas perderam tudo. Está sendo feito um cadastro e cerca de duas mil pessoas atingidas, mas o número ainda deve aumentar, já que não concluíram o cadastro”, revela.

A família do morador Marcelo Augusto Sardagna reside em Presidente Getúlio e eles perderam tudo na enxurrada. Ele ressalta a importância da ajuda que estão recebendo da Assistência Social, pessoas da região, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. “A gente perdeu todos os bens materiais, carros foram afetados, não sobrou uma peça de roupa íntima seca. A gente está tendo que correr atrás de tudo, roupas, alimentos, eletrodomésticos, recursos financeiros para começar a reconstruir, a casa não chegou a ser levada, mas danificou bastante a parte estrutural, surgiram rachaduras. É uma situação complicada, difícil de descrever porque ao mesmo tempo em que estamos tristes com tudo o que aconteceu, com as vítimas da tragédia, a gente fica feliz por estar vivo. Nos sentimos abraçados quando vemos o trabalho que está sendo feito na cidade através do pessoal do exército, bombeiros, policiamento, Defesa Civil, e a gente percebe que não para de chegar roupas e é assim que temos um pouco de esperança de ir atrás e recomeçar”, afirma.

Ele diz ainda que a distribuição dos mantimentos está sendo feita de forma muito rápida e agradece o trabalho da Assistência Social. “Eles estão fazendo um excelente trabalho com a gente, para que as pessoas não tenham ainda mais dificuldade, para que não cheguem a passar fome, tenham onde dormir e descansar para trabalhar no recomeço no dia seguinte, ajudar familiares”, destaca.

Foram muitas casas, roupas, mercadorias, o trabalho de uma vida inteira e até à tarde de ontem, 17 vidas só em Presidente Getúlio. A enxur rada trouxe além de perdas irreparáveis, o sentimento de impotência para quem fica. Marcelo fala sobre a dificuldade de lidar com a situação e o medo, já que o irmão é autista e teve dificuldade de compreender o momento. “Foi horrível. A gente não via a água parar de subir. Quando olhava para o chão a água estava no pé e depois já estava batendo na cintura. Tivemos que procurar abrigo em cima do sótão até porque não sabíamos em qual velocidade ela continuaria subindo e além de tudo isso eu tenho um irmão autista de 17 anos, que não entende o que está acontecendo e para lidar com essa situação e fazer com que ele entendesse que era preciso pedir socorro para se salvar foi muito complicado”, relembra.

A reconstrução da cidade conta com o apoio de muitas pessoas. O engenheiro agrônomo Roberto Bechtel está em Presidente Getúlio e relata o que sente ao ajudar as famílias.

“Quando a gente enxerga uma catástrofe como essa de fora, não temos mesma sensação de quando entramos dentro dela. Para sentir o que essas pessoas estão passando é só vendo de perto mesmo. Tudo isso que aconteceu é de muita comoção, mexe com todos que vão lá e que percebem que existiam pessoas que moravam, e muitas delas perderam o sonho de uma vida, ou a vida. Isso faz com que a gente pare, reflita e pense no próximo”, completa.

Como doar?

Além dos pontos de recebimentos de doações, é possível fazer doações em dinheiro. De acordo com o assistente social, os interessados podem ajudar através de uma ação social criada pela Viacredi, “Ajude a reconstruir nossas cidades”. Os dados para doação são: Viacredi Alto Vale, Banco:085; Agência:0115-5; Conta:79.521-6.

Corpo de Bombeiros Militar reforça efetivo

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) segue com a missão de resposta à enxurrada. A partir de hoje (22) duas turmas de alunos do Curso de Formação de Sargentos irão para a cidade de Presidente Getúlio, para contribuir com as buscas. Serão 56 bombeiros militares a mais, que partirão do Centro de Ensino Bombeiro Militar (CEBM), em Florianópolis. A primeira turma, com 28 bombeiros militares irá amanhã e retornará no dia 24 e a segunda turma entre os dias 25 e 27.