Alto Vale
Foto: arquivo DAV

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

A demanda por médicos na região é bastante grande. Em Pouso Redondo, no Hospital Annegret Neitzke, não é diferente. Nesta semana, uma mulher, de outra nacionalidade, teria ido até a unidade pedindo uma oportunidade como médica, ela apresentou alguns documentos e foi encaminhada para testes. Enquanto isso, a administração verificou que as informações não eram verídicas e que ela não dominava técnicas básicas exigidas pela profissão.

O gerente-geral, Wilton de Souza Pinto, conta que a mulher alegou estar visitando amigos na cidade e que vendo o hospital, procurou a unidade para saber da possibilidade de atender na instituição como médica. Ela foi recepcionada pelo responsável técnico, que solicitou alguns documentos, mas informou que naquele momento tinha a carteirinha digital, uma foto do Conselho Federal de Medicina e o passaporte.

“Ele foi conversando com ela e então realizou um primeiro atendimento, sendo que o nosso responsável estava presente. Neste momento ele viu a primeira abordagem, interrompeu o atendimento e deu continuidade. Ele sentiu dificuldade em se comunicar pelo idioma dela”, comenta.

O teste não parou aí, para continuar observando a técnica, o responsável a convidou para que fizesse uma sutura, mas precisou interromper novamente porque verificou a dificuldade no procedimento. ” Ao mesmo tempo, a documentação estava sendo analisada pelo administrativo, que observou que faltavam informações, pois ela só apresentou a carteirinha do Conselho Federal de Medicina, que não constava no sistema do Conselho . Ao mesmo tempo, o dr. Marcos, verificou que ela não tinha destreza para fazer a sutura e interrompeu de imediato o atendimento”, conta.

Ao verificar que as informações não condiziam com o que dizia o Conselho Federal de Medicina, a gerência acionou a Polícia Militar do município.

“A Polícia Militar levantou as informações e verificou que não condizia e continha erros grotescos de falsificação, onde a Polícia compareceu no hospital e perguntou se ela tinha mais documentação. Em momento algum ela apresentou a devida documentação, então foi conduzida para a Delegacia da Polícia Militar de Pouso Redondo, onde foi abordada pelos responsáveis e manteve firme a informação de que só tinha aqueles documentos no momento”, disse.

Observando a resistência em relação à apresentação dos documentos, lhe foi perguntado sobre hospitais onde já havia trabalhado. Foi aí que ela passou os nomes de três unidades. “Ela passou três nomes de hospitais que foram verificados pela Polícia Militar de Pouso Redondo e os mesmos não conheciam o nome dela e passaram o contato para a Polícia Militar”.

Nesse momento, de acordo com Wilton, ela teria sido conduzida para a Polícia Militar de Rio do Sul, onde o delegado teria continuado o processo. “Ele perguntou a ela onde ela tinha feito faculdade, quem tinha dado o documento a ela, e ela disse que não lembrava onde tinha feito a faculdade, mas que a documentação era dela e era real. Sendo que foi observada toda uma falsificação no documento”, relata.

A mulher, segundo o gerente-geral, foi autuada por falsificação de documentos e só foi liberada algumas horas depois, após pagamento de multa. “Ela foi liberada, voltou para Pouso Redondo para pegar suas coisas, embarcou para Foz do Iguaçu e não voltou mais. Nós não a conhecemos, ela estava em visita na cidade, com conhecidos dela, que devem desconhecer a situação. Ela deve ter passado para eles esse falso título. Acredito que ela tenha vindo aplicando esse golpe em outros locais, mas aqui não deu sorte”, avalia.

Wilton ainda acrescenta que desde o início foi observado que as informações não poderiam ser verdadeiras. “Tanto no momento em que ela apresentou a documentação quanto na supervisão do responsável técnico, foi observado que nada batia. Ela ficou aqui no hospital porque eu não liberei ela para que não aplicasse a conduta em hospitais vizinhos e na região há uma demanda reprimida de profissionais”, completa.