Alto Vale
Foto: CRS/DAV

 

Helena Marquardt

Luana Abreu

 

O Dia do Produtor de Tabaco celebrado nesta segunda-feira (28), lembrou a importância econômica e social da cultura na região, que garante renda para 7.720 famílias de 20 municípios no Alto Vale. Produtores que acabam sendo atingidos diretamente por fenômenos climáticos como granizo, que castigou lavouras por três vezes em menos de uma semana.

 

Mas se os fumicultores estão suscetíveis aos impactos do clima na safra, por outro lado existem também números muito positivos. De acordo com dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) um ponto que chama a atenção na categoria é o nível econômico e social acima da média geral dos trabalhadores brasileiros. Um pesquisa realizada em 2016 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em 15 das 21 microrregiões produtoras de tabaco da Região Sul do Brasil apontou na época que renda per capita mensal média da população de produtores de fumo que era de R$ 1.926,73, enquanto a renda per capita no Brasil era de R$ 1.113,00.

 

“Enquanto 78,5% dos brasileiros estavam compreendidos nas classes C, D e E, mais de 80% dos produtores de tabaco estavam compreendidos nos estratos sociais A e B”, avalia Iro Schünke, presidente do SindiTabaco, entidade que encomendou a pesquisa, que demonstrou ainda que os produtores tem um bom acesso a itens relacionados às condições de conforto, higiene e saúde, respaldado pelo nível de renda.

 

A entidade estima que atualmente, cerca de 600 mil pessoas, em 557 cidades, trabalhem nas lavouras de fumo apenas no Sul do Brasil. A safra 2018/19 rendeu R$ 5,9 bilhões de receita as 149 mil famílias produtoras. Na região, um município que se destaca na cultura do tabaco é Santa Terezinha com 2.381 famílias produtoras. Juntas elas produzem sozinhas em média 13.818 toneladas. Vitor Meireles é outra cidade cuja economia é baseada principalmente na produção de fumo, com 698 famílias trabalhando nessa atividade e produzindo 4.837 toneladas. Já Rio do Sul, capital do Alto Vale contabiliza apenas 47 famílias atuando na cultura e produzindo em média 158 toneladas.

 

Josmar Esser, de Rio do Sul, planta fumo desde que era criança já que a família dele já trabalhava na cultura e a atividade passou de geração em geração. Hoje com 56 anos ele planta pouco mais de dois hectares e divide o trabalho na lavoura de tabaco com o milho e a criação de animais, mas garante que o maior lucro na agricultura acaba vindo do Tabaco. “Hoje o fumo ainda é a atividade que dá um lucro maior para a gente, se não tiver problema com o clima é o que dá um dinheiro melhor, por isso continuo há tanto tempo”, comenta.

 

Atualmente o Brasil é o segundo maior produtor de tabaco do mundo, perdendo apenas para a China. O tabaco é cultivado em 321.520 mil hectares do território nacional e o sul do país, é responsável por 98% da produção. O setor fumageiro, desde o produtor, quando lança as sementes na terra, emprega direta e indiretamente 2,1 milhões de pessoas.

 

Produção

 

A cultura do tabaco é trabalhosa, envolve muitos processos e vários meses. Primeiro é necessário produzir a muda. Este sistema evoluiu nos últimos anos, passando dos canteiros de chão para o sistema floating, que consiste em bandejas de isopor instaladas sobre uma fina lâmina d’água previamente fertilizada. Nesta fase, que dura em média 60 dias, é preciso ter atenção para evitar doenças como o amarelão, mofo azul, mancha aureolada e podridão. As mudas devem ser podadas neste período. Depois é feito o preparo de solo que vai receber as mudas, o plantio, aplicação de herbicidas e demais defensivos.

 

O processo segue com fertilização, capina, retirada das flores e controle de pragas. A colheita é feita em partes, conforme o amadurecimento da folha, de baixo para cima. Existem variedades secas em estufas como o Virgínia, o mais comum no Alto Vale, e as que são curadas em galpão, como é o caso do Burley.

 

A última etapa na propriedade é a classificação das folhas. Elas são divididas e agrupadas de acordo com a semelhança de características. O valor de cada tipo será definido no processo de compra. Geralmente o produtor tem contrato com uma fumageira integradora, recebendo os insumos para a produção e o compromisso de entregar o produto a ela.