Alto Vale
Foto: Cláudia Pletsch/DAV

Reportagem: Cláudia Pletsch e Helena Marquardt/ DAV

Após o anúncio feito pelo prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, que a cidade estaria participando de um estudo sobre a aplicação de ozônio via retal para tratamento de pacientes infectados com o novo coronavírus, o tema virou chacota na internet a nível mundial, mas um médico de Rio do Sul que estuda o assunto há anos e até ensina a ozonioterapia em todo o país garante que ela pode sim representar uma esperança na melhoria do tratamento de quem foi infectado pela covid e que o uso desse gás pode ser feito de diversas formas.

André William Alonso é médico, anestesiologista por formação e hoje professor e pesquisador sobre o tema da ozonioterapia. Ele conta que conheceu a prática como paciente no momento em que buscava por um tratamento e que ela abriu as portas para um novo olhar sobre o tratamento da dor, a partir de então ele passou a estudar sobre o assunto, inclusive fora do país.

Ele ressalta que o tratamento traz muitos benefícios para a saúde. “Para as pessoas que têm muitas dores, a técnica pode aliviar os sintomas e para as pessoas que têm problema de respiração, pode melhorar a oxigenação. Talvez por isto a técnica seja tão difundida entre os atletas de alta performance, já que melhora o rendimento e ajuda na recuperação das lesões. Djokovic, Cristiano Ronaldo, Rafael Nadal, e até Rubens Barrichello já assumiram publicamente a utilização do tratamento”, complementa.

O médico ainda explica quais são as melhores formas de aplicação do ozônio. “O ozônio é um gás que é tóxico pela via respiratória, a gente só não pode respirar ozônio. Então você pode borbulhar esse ozônio em água ou colocar em óleo por exemplo. O ozônio pode ser aplicado em baixo da pele como uma aplicação local, e uma das maneiras é através do intestino que serve para absorver substâncias, então o oxigênio é absorvido pelo intestino. Essa é uma maneira muito barata e rápida de fazer a aplicação em uma população, aplicações através do sangue são mais caras mais invasivas e mais lentas de se fazer”, explica.

Ele revela que seus estudos foram na Itália, considerada o berço da ozonioterapia e afirma que essa prática não é nenhuma novidade: começou entre 1800 e 1900. “Já são mais de 120 anos de experiência nessa área em outros países, no Brasil começou na década de 70, então temos aqui cinquenta anos de experiência em ozonioterapia. Fisioterapeutas, dentistas biomédicos e farmacêuticos já utilizam ozônio em alguns procedimentos, já os médicos podem utilizar essa terapia apenas em pesquisas”, completa.

Em relação ao uso da ozonioterapia para tratamento da Covid, a Conep autorizou três estudos que estariam em andamento. Já o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM/SC) afirmou em nota que “o volume de estudos e trabalhos científicos adequados sobre a prática ainda é incipiente e não oferece as certezas necessárias” para tratar quem foi infectado pelo novo coronavírus.

Pacientes quebram tabu e falam da experiência com a ozonioterapia

Apesar de ser pouco conhecida e ainda tratada pela maioria da população como tabu, a ozonioterapia já foi utilizada por milhares de brasileiros, inclusive no Alto Vale. Uma elas é a secretária Araceli Selhorst, que conta que após o nascimento do seu filho, há cerca de dois meses teve uma mastite que evoluiu para um abcesso. “Essa inflamação foi bem grave, tive que colocar um dreno e geralmente teria que passar por internação no hospital, mas fazendo uso do ozônio não precisei ficar internada ou tomar medicamento. A recuperação foi bem rápida e a cicatrização está sendo ótima mesmo sem pontos”, conta.

Jean César Simas é outro que utiliza a ozonioterapia. Ele foi diagnosticado com colangite esclerosante aos 18 anos, uma doença autoimune que não tem cura e causa inflamação e fibrose de ductos biliares intra e extra- hepáticos. “O tratamento que os especialistas indicavam era tomar remédio e fazer acompanhamento com exames para ver a evolução da doença e que a longo prazo seria uma questão de transplante. Não conformado com esse diagnóstico conheci o doutor André e fui apresentado a ozonioterapia. Comecei a fazer e foram acontecendo as mudanças, a melhoria do quadro de inflamação no organismo, da contaminação por metais que eu tinha. No ano passado fiz um exame de imagem que mostrou que a doença não existia mais, então me considero definitivamente uma pessoa curada. Mesmo assim continuo fazendo uso do ozônio uma vez por mês”, lembra.

A ibiramense Joice Uhlmann de Souza diz que ouviu sobre a ozonioterapia pela primeira vez em 2018 quando estava pesquisando sobre tratamentos complementares para ajudar a mãe que havia sido diagnosticada com câncer, mas acabou sendo ela mesma beneficiada. “Menos de dois meses após precisei para mim mesma, pois comecei a passar mal com crises mais agressivas de enxaqueca e dores na região do estômago. Fui diagnosticada com um nódulo na tireoide, de mais de quatro centímetros, suspeito de neoplasia e na medicina tradicional a indicação era cirurgia imediata. Conversei com minha endocrinologista que gostaria de um prazo para tentar outra forma de tratamento e foi o que fiz”, lembra.

Ela iniciou o tratamento com ozonioterapia e outras suplementações necessárias para o seu caso, fazendo aplicações intravenosas e desde então já fez uso da prática até para tratar outros problemas, desde gripe até dor localizada. “Sempre sofri muito com enxaquecas, dores no corpo, gastrite. Hoje, meu nódulo tem menos de um centímetro e foi diagnosticado em biópsia como benigno. Estou aprendendo diariamente com a medicina integrativa. Não indico ninguém a abandonar a medicina tradicional, mas vale a pena entender melhor outras alternativas”, garante.

Alexsandro Pedro Ledra também já fez uso da ozonioterapia. Há cerca de oito anos ele teve problemas de coluna e ficou mais de dois anos sem poder trabalhar e recebendo auxílio do INSS por incapacidade. Nesse período teve diversas crises e até internações. “Então fiz o tratamento de ozônio de 12 sessões e dentro de uns 30 dias estava andando normal. Em três meses pude voltar a trabalhar”.