Alto Vale
Foto: Divulgação

Cláudia Pletsch/DAV

Um trabalho de conclusão de curso sobre a Barragem Oeste de Taió trouxe um novo olhar para o local e chamou atenção pela riqueza de detalhes, beleza e cuidado. A área que tem capacidade de armazenamento de 83 milhões m³ de água hoje não tem nenhuma ocupação, mesmo sendo um dos pontos turísticos da cidade. A proposta de uma arquiteta é a construção de um espaço de lazer completo, com memorial contendo o acervo técnico da barragem, história da comunidade que vivia no local, trilha ecológica, ciclovia, restaurantes, estacionamento além de três mirantes para observação da fauna, flora e dos pássaros.

A arquiteta Adriane Sotopietra que é moradora do município foi quem desenvolveu o projeto durante seu curso de Arquitetura de Urbanismo, e o estudo fez tanto sucesso que foi apresentado ao prefeito de Taió nesse início de ano. Ela conta que a princípio não faria o trabalho voltado para o local, mas se deparou com a opção depois de perceber que muitos dos terrenos nos quais ela gostaria de fazer o projeto eram atingidos por enchentes. “A minha intenção era que o trabalho fosse voltado para gastronomia então eu até estive vendo alguns terrenos na cidade, mas acabava barrando em todos eles pois a maioria deles tinha como principal problema a questão das cheias. A maioria dos terrenos seria atingido pelas cheias e isso seria um problema para mim. Depois de muito estudo em conjunto com minha orientadora a gente pensou que teríamos que fugir da água, então porque não na própria barragem, já que ela é um ponto turístico da cidade mas que não é valorizado, uma área extremamente ociosa hoje, já que a entrada é proibida justamente por não ter uma infraestrutura adequada para receber visitantes”, relata.

Para dar vida ao projeto, a arquiteta conta que iniciou sua pesquisa fazendo um levantamento histórico da comunidade que vivia naquele local antes da estrutura ser construída, entre os anos de 1963 e 1973. Ela diz que chegou a conclusão de que naquela região vivia uma comunidade de agricultores muito unida com terras muito férteis, principalmente para a plantação do arroz e que aquele local fornecia um grande retorno financeiro para a cidade. “Naquela época esses moradores estavam investindo muito nos maquinários e para eles é claro que foi um baque muito grande ter que deixar sua vida, seu lar e suas terras, além do laço de amizade que eles tinham entre eles para construir uma vida do zero”, justifica.

O retorno financeiro para o município foi uma das principais questões que fez com que a taioense investisse no projeto. Ela ressalta que tudo foi pensado justamente para que o ponto turístico pudesse ser mais aproveitado, atraindo pessoas de toda a região e de todo o estado para o local. Com o turismo a cidade teria um retorno financeiro perdido há mais de 40 anos e que hoje não é viável por não ter uma estrutura adequada para receber visitantes. “É contraditório pois as pessoas vão visitar a barragem apenas quando está cheia para observar a água e a estrutura, quando na verdade é uma região muito rica em fauna e flora, inclusive muitas pessoas vão lá para observar pássaros pois tem uma diversidade enorme”, completa.

Adriane conta que uma das maiores preocupações que surgiu no decorrer do estudo era com relação as cheias, e por isso solicitou o suporte de especialistas da Defesa Civil e do Departamento de Administração da Infraestrutura (Deinfra). O trabalho em conjunto garantiu que o projeto fosse desenvolvido em local seguro e livre de riscos de cheias. “Uma das indagações das pessoas é que toda a área do local é de segurança nacional, porém não é toda a área que oferece risco, as áreas que oferecem riscos são somente as atingidas pelas cheias. Eu não posso fazer um projeto para a entrada pública onde está situada hoje a Defesa Civil pois é num terreno mais plano, mas eu posso ocupar a área onde existe hoje a praça da maquete onde não é atingida pelas cheias e todo o projeto foi acompanhado pela Defesa Civil e pelo Deinfra, eles me deram todo o suporte”, esclarece.

Um sonho que se colocado em prática a arquiteta garante que seria uma das obras mais bonitas da região e com grande potencial já que no projeto ela inclui além de bares e restaurantes, um local para estacionamento amplo, um memorial e mirantes para observação da fauna e flora, além de uma trilha ecológica que contaria com uma variedade de árvores que dariam cor para o terreno. “Todo o trecho da trilha ecológica, do memorial e do parque seria aberto ao público, o que não seria aberto ao público é a passagem da rampa que leva até a barragem e a Defesa Civil”, completa.

Durante a elaboração de todo o trabalho Adriane conta que esteve em contato com a Defesa Civil, o que tornou o projeto interessante aos olhos do órgão. Ela explica que esteve em conversa com representantes por algumas vezes, mas por se tratar de uma obra com alto custo ainda não teve respostas. Tirar o projeto do papel e colocar em prática é um sonho da taioense.

 

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