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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Um levantamento do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Rio do Sul e Região (Sititev) apontou que até agora cerca de 40% das empresas já aderiram a redução de jornada ou suspenderam contratos de trabalho. Com os impactos da pandemia, a entidade acredita que trabalhadores do setor serão os mais prejudicados e diz que muitos já estão passando necessidade.
A presidente Zeli da Silva comenta que a suspensão do contrato tem sido a opção da maioria das empresas e que os dados mostram que algumas já fecharam as postas, principalmente facções, deixando colaboradores desempregados. “Estamos sentindo. As empresas grandes não estão mandando serviço e as facções não têm como continuar”, comenta.

Ela diz que os programas do Governo Federal acabam não atendendo as necessidades básicas dos trabalhadores. “Os programas não têm atendido a todos porque muita gente não recebeu e mesmo as reduções de jornada acabam impactando os trabalhadores porque têm o salário reduzido. Com isso esse funcionário está comprando menos no comércio e acaba refletindo num todo. A gente já vinha num período de crescimento do desemprego e da informalidade, mas a pandemia agravou ainda mais a situação”, completa.

Com o salário reduzido ou contrato suspenso o sindicato diz que centenas de pessoas recebem o equivalente ao seguro desemprego, que em muitos casos não é suficiente para cobrir despesas básicas como aluguel, energia, água e alimentação das famílias. “Temos muita gente já passando fome e essa é uma preocupação, que muitos vão passar necessidade. Dependendo o número de pessoas na família o valor que estão recebendo não atende porque sabemos que R$ 1.200,00, por exemplo, não são suficientes para uma mãe de família pagar um aluguel, luz, água e ainda comprar comida para os filhos. Já tem muitos passando necessidade e sabemos que a tendência é aumentar”, disse.

O presidente da Associação Empresarial de Ibirama (Aciibi), Sávio Giacomozzi revela que na cidade as fações empregam mais de quatro mil trabalhadores e que o ramo é um dos mais impactados na indústria. “Todos sofremos e a indústria está sofrendo mais ainda porque existe uma dificuldade na retomada. Aqui em Ibirama são muitas facções que produzem para os grandes têxteis e como eles estão parados não fornecem o serviço para as facções”, conclui.